10 de Março de 2012
São seis e um quarto da manhã e levanto-me, não deixo sequer despertar o telemóvel com o alarme que tinha programado, tal é a ansiedade em que me encontro, por ir até Barcelos com três dos meus companheiros do Dar ao Pedal e, no meu caso e do Oliveira, com as respectivas caras metades para participar no Trilho dos Moinhos, organizado pelos Amigos da Montanha.
A manhã de Março, nasceu linda e quente, a prometer um excelente dia de Primavera mais a puxar para o Verão, apesar de ainda estarmos, segundo o calendário, no Inverno.
Com tudo pronto para a partida, espero em casa pelo Oliveira para colocar a minha bike no suporte do carro dele e seguirmos viagem até ao ponto de encontro que combinamos com o Mário Dantas, a estação de serviço do Mindelo, na A28.
À hora marcada, eis que aparece o Mário, trocarmos dois dedos de conversa, tomamos um cafézinho se seguimos logo caminho até Barcelos, para o mais cedo possível, fazermos o nosso check-in, levantarmos os dorsais, as senhas para o almoço e todo o resto a que tínhamos direito, por vias da inscrição, umas peúgas BTT e um cachecol/gorro personalizados com a inscrição “Trilho dos Moinhos” e ainda um pequeno brinde dos Amigos da Montanha.
Faltava ainda chegar o “quarto elemento”, o Frederico que vindo de Viana do Castelo, de imediato fez o seu registo e, também ele já com tudo a que tinha direito, a nós se juntou para preparar as bikes e identificá-las com os respectivos dorsais.
Como tinhamos todos, tomado o pequeno-almoço muito cedo, resolvemos mesmo antes da partida, fazer o primeiro reforço e vai daí, deitarmos abaixo as bananinhas que de costume, são sempre mais tardias.
A partida aproximava-se, fizemos uns pequenos aquecimentos, tiramos umas fotos , fomos fazer o controlo zero e alinhamo-nos mesmo no final da recta da partida, com muitos poucos pedalistas à rectaguarda e uma imensidão de outros à nossa frente.
Momentos antes da organização iniciar a contagem decrescente “… três, dois, um, partida”, tínhamos tirado a primeira foto de grupo e depois foi só esperar que o espaço à nossa frente ficasse livre e partimos, uma vez mais, para o que viria a ser uma grande aventura.
Saímos das imediações do estádio do Gil Vicente, percorremos de início apenas asfalto, ainda dentro de Barcelos até sairmos da cidade não sei porque saída, nem para onde nos dirígiamos, aliás, em todo o percurso, nunca soube por onde é que andei nem os locais por onde passei.
Só me lembro de passar salvo erro por Sequeade, numa Quinta chamada Santa Maria, numa localidade onde fizemos uma belas subidas e aonde vi uma placa que indicava uma capela dedicada a São Lourenço, situada bem lá no alto e, aonde felizmente não tivemos que ir.
É claro que o percurso, na sua quase totalidade, é feito no monte e aí, quem não sabe onde está, também nunca encontrará placas a indicar a sua localização, nem delas precisava, pois todo o percurso está bem sinalizado, tanto no que toca a fitas listradas a vermelho e branco, a placas amarelas com setas indicativas das direcções a tomar, bem como em muitos cruzamentos, com voluntários a ajudarem a passagem dos bttistas e nas passagens de estradas nacionais e locais, sempre com a máxima segurança para os atletas.
Neste e noutros pormenores, é de louvar toda a excelente organização dos Amigos da Montanha, dos seus colaboradores, dos seus voluntários e de todas as forças de segurança mobilizadas para que tudo corresse o mais perfeito possível, num evento com um elevado número de participantes, pelo que desde já, felicito todos os intervenientes no Trilho dos Moinhos.
Por falar em Moinhos, os tais que davam nome ao trilho, só me lembro de ver três deles em ruínas, bem no meio do monte e já bem escondidos entre as árvores que os circundam. Certamente que, nos seus tempos aúreos, em que movidos à força do vento, moíam cereais, não tinham por certo essa companhia, que agora os abafa.
Nós, os quatro, também não abafamos, fomos fazendo todo o percurso, gozando-o ao máximo, a custo nas subidas, com garra nas descidas, apoiando-nos uns aos outros, com esperas alternadas, pelo elemento que mais atrás vinha, não por fraqueza, mas simplesmente porque ficou a tirar uma foto ou a deliciar-se com a paisagem.

















