Dar ao Ped@L – Norte
16 de Setembro de 2012
Douro Bike Race 2012 – Amarante
Tratava-se da Demolition Bike Revenge e não do Douro Bike Race conforme nos quiseram fazer crer…!
Tudo tinha contornos soft, o tempo fresco de manhã, o sussurrar calmo das águas do rio, o lento e calmo ajuntamento dos “atletas” montando e afinando as suas máquinas, enfim nada fazia adivinhar o “INFERNO” em que se viria a revelar este evento.
O parque mecânico estava repleto de “primas donas” trabalhadas até ao pormenor tipo rodas 26” à frente e 24” atrás, tal era o empenho “ao mais alto nível” destes bikers.
Parti de alguma forma intimidado com tal aparato e logo na primeira curva me apercebi que o meu estado anímico e psicológico não era dos melhores. Trazia Santiago acumulado e na semana anterior tinha puxado um pouco por mim lá prós lados de Couce.
Preocupações primeiras; gerir a pouca resistência e tentar não descolar dos restantes membros do nosso grupo, ponto final! Enquanto a primeira ia sendo gerida com algum custo, já a segunda se revelava mais difícil, não só pelo andamento adotado pelos ditos, mas também pela confusão dos muitos bikers em prova.
Foi um rodopio de rodas e pernas e pernas e rodas e eu a ve-los passar….! Comecei a stressar e o fantasma da desistência começou a pairar no meu subconsciente, mas conscientemente eu acreditei como acredito sempre, quando se aceita um desafio duas coisas podem acontecer ou se ganha ou se perde, desistir é apenas opção e esta só faz parte desta guerra por motivo de força maior…!
Tenho a sensação de me ter arrastado pelo trajeto de forma obsessiva e amnésica, apenas fixando um ou outro resistente que tal como eu teimava em não atirar a toalha ao chão.
Molhado de tanto suor estava todo o “equipamento” e o calor apertava a garganta seca com poucos postos de reforço à mistura. Justiça seja feita uma boa organização, boa sinalização, boa assistência a avarias mecânicas, mas poucos “reforços”. Ponto a rever…
Dos colegas nem sombra, até que ao fundo de um dos muitos estradões a subir (pois claro) avisto o Mascarenhas e o Oliveira em jeito de também estarem a ter alguns problemas, mas entretanto o Oliveira descola e fica o Mascarenhas para trás (bendita a hora diria eu!) o qual venho a apanhar, salvo seja, um pouco mais à frente.
A partir daqui e durante todo o resto do percurso, tivemos um “manco” e um “moribundo”, ao despique, apoiando-se um no outro, qual deles o primeiro a tomar a iniciativa de desistir(mos) !
Coisa gira de se ver…! Mas contingência das contingências, não é que resultou ao contrário…!
O que se tinha tornado num processo de intenções, veio a revelar-se um processo de vitória, Km atrás de Km, posto de controle atrás de posto de controle “são só mais 5Km” e depois desisto” de reforço em reforço, fomo-nos aproximando da meta, não posso mais… dobrava-se um até aos joelhos!
Estou todo arrebentado queixava-se o outro com a boca aberta até ao umbigo…! E a serrania e o calor e o estradão e a subida e o cansaço reclamavam as suas vitimas..! Não, não chegaram a sobrevoar-nos abutres seus…. Abutres!
Mas eis que como num passe de mágica começamos a descer…! Aquilo que nos tinham prometido começava a acontecer….Afinal sempre havia descidas neste trajeto… e aí ganhamos asas…!
Levantamos voo e só pousamos duas vezes porque a terra estava já tão solta de tantas travagens que já não garantia tracção… e aí levantávamos outra vez voo até que vislumbramos o nosso aeroporto a meta… Um à frente e outro atrás…!
Até que num momento de emoção de aposta ganha, agarramos as mãos e cruzamos a meta unidos pela amizade e pelo sofrimento comum ultrapassado… Os tais VENCEDORES….!
Note-se que esta chegada apoteótica, apenas concedida a alguns, foi salvada pelos espectadores de forma entusiástica….
Roam-se os que chegaram primeiro…! (Vocês sabem quem)
Abraços pessoal…!
Jorge Bastos
22 de Abril de 2012
Luso Galaico 2012 – Esposende
Esta crónica era para não existir por falta de iniciativa de qualquer outro elemento em a escrever, excepto eu, que a decidi trazer à luz do nosso Blog, mesmo que de forma sucinta e telegráfica, em jeito de testemunho sobre a participação de apenas um dos sete elementos do grupo Dar ao Ped@L, que estiveram presentes no evento Luso Galaico 2012, em Esposende, no passado dia 22 de Abril.
O primeiro e único elemento que me fez chegar um pequeno texto sobre a sua participação no evento, foi o António Oliveira, que mesmo apelando aos restantes, para que fizessem o mesmo, viu cair em saco roto, o seu pedido.
Sendo assim, só posso e devo, em primeiro lugar, aqui colocar a opinião do Oliveira, por palavras suas, daquilo que gostou ou não, no Luso Galaico 2012, desde as inscrições, ao percurso, à organização, almoço, etc., etc..
Gostou o Oliveira
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Possibilidade de levantar os dorsais antes do dia do evento. “ Como a maior parte do pessoal já tinha levantado os dorsais durante a semana fomos mais ou menos descansados.”;
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“Partida à hora marcada”;
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“Percurso mais ou menos agradável, apesar de alcatrão a mais…”;
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“Facilidade de estacionamento…” ;
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“A GNR na estrada, apesar de um ou outro cruzamento sem ninguém a controlar…”;
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“do almoço”.
Não gostou o Oliveira
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“Elevado número de participantes”;
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“Engarrafamento de participantes por volta dos 15 km, com paragem durante mais de meia hora”;
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“Não existir mais reforços (água) para além do efectuado por volta dos 21 km”.
Não é fácil a nenhuma organização controlar todos os imprevistos, muito menos com tanta e tanta gente a pedalar, cerca de 3000 pessoas, distribuídas pela prova BTT XTreme de 190 km, pela maratona de 70 km e pela meia-maratona de 35 km e, como se costuma dizer, agradar a gregos e a troianos.
Não é tarefa fácil, mas há que tentar fazer o melhor possível e como todas as organizações de eventos, esta também tentou fazer o melhor que pode e que sabe, disso tenho a certeza, ou já não leve o Luso Galaico, dez de anos de experiência.
Muitas vezes, os problemas surgem donde não se esperam e outros mais ou menos previstos, acabam por não acontecerem e ainda bem que assim é.
Todos nós sabemos disso, é a lei da vida.
É sempre muito bom ver tanta gente a praticar desporto numa manhã de Domingo, seja a saltar, correr ou pedalar, pois sempre é melhor do que nada fazer.
Pelo desporto, pelo convívio, por tudo o que se aprende e conhece, vale sempre a pena sair de casa e participar neste tipo de eventos.
Como elemento do grupo, participante no evento, também é claro que possuo a minha opinião, sobre o que mais gostei, o que gostei assim-assim e o que menos gostei.
Quanto ao Luso Galaico 2012 em si, gostei do colorido que demos a Esposende e do apoio da sua população na hora da partida, das paisagens que me passaram muito rapidamente mas que me pareceram serem muito bonitas, da extensão e da dificuldade do percurso que efectuei (meia maratona) que achei adequadas, das condições dos balneários e do almoço, tipicamente regional e muito saboroso.
Gostei menos ou fiquei um pouco desagradado com a confusão no engarrafamento provocado pelo afunilamento do trilho, numa subida, que gerou muita confusão aos participantes que se aglomeraram e se atrasaram, nalguns casos mais de meia hora.
Não gostei do local escolhido para o reforço nem do local para a lavagem das bicicletas, que não sei se era o único mas que na minha opinião não deveria ser naquele local, junto a uma esplanada de um café e local e passagem de pessoas.
Nestas andanças, o nosso grupo, ainda está a dar as primeiras pedaladas, ainda só andamos nestes tipos de eventos desde Janeiro de 2012, mas, com as experiências adquiridas aqui e acolá, quer seja em Alfena, Cantanhede, Barcelos ou Esposende, concluimos que o que mais importa é participar, conviver e aprender com o saber de outros, corrigindo também os nossos erros e, chegar sempre ao fim, sem problemas físicos ou lesões, satisfeitos e com vontade de voltar a pedalar e …
Participantes: António Oliveira, Emanuel Mascarenhas, Frederico Lima, Jorge Oliveira, Rogério Freitas, Sérgio Guimarães e Valdemar Freitas
Mais fotos da nossa participação, no Facebook do Dar ao Ped@L.
https://www.facebook.com/#!/groups/dar.ao.pedal/
25 de Março de 2012
Chaves – Vila Real
A manhã de Domingo, despertou sem sinais de vir a ter chuva, como indicavam as previsões meteorológicas e bem pelo contrário, com um bonito sol que aos poucos foi dando os bons dias, a quem se ia levantando, bem dormido, mal dormido ou com poucas horas de sono.
Descansados ou não, com ou sem vontade, tínhamos que voltar a Vila Real a Dar ao Ped@L e o melhor que se poderia fazer antes da partida, era tomar um reconfortante e retemperador pequeno-almoço que nos desse alento e de novo energias, para encararmos o percurso de regresso com elevada determinação.
Não sendo o mata-bicho que queríamos e desejávamos para esse efeito, cada um de nós tomou e comeu o que tinha trazido de casa na esperança que mesmo assim, tivesse obtido os açúcares, os hidratos de carbono e outros componentes, suficientes para garantir um bom desempenho na etapa de regresso.
Faltava desmontar o acampamento, fazer as despedidas e agradecer ao casal simpático e à sua linda menina, a estadia que nos proporcionou no terreno de sua casa e pedir desculpa por um ou outro incómodo que um grupo de amigos também simpático lhes possa ter causado na invasão consentida dos seus domínios, ainda por cima num fim-de-semana, em que o mais que se quer é descanso.
Feitas as despedidas, descemos pelo interior da Granjinha, uma aldeia muito agradável, em direcção a Chaves, ainda com uma pequena paragem num café de bairro, onde bebericamos os cafezinhos da praxe, a nossa bendita cafeína, aditivo extra sem o qual, muitos de nós não “circulam”.
De volta à antiga Linha do Corgo, junto a uma antiga passagem de nível à saída de Chaves, levamos com um maldito cão, capaz de nos comer a todos, tal a raiva que lhe afiava os dentes, mas que, por muito que ladrasse e mau que fosse, não atemorizou o grupo nem tão pouco impediu a passagem das nossas bicicletas.
De novo em estrada, desta vez na EN 103, seguimos em direcção a Curalha, passamos por um recanto muito apreciado e frequentado pelos flavienses, situado na margem do rio Tâmega e também por uma antiga estação que ao rio buscou o nome, bonita e conservada mas agora no domínio privado e vedado. Não sei se serão permitidas visitas, no local não deu para perceber isso, mas da estrada podemos ainda ver, para além da estação, algumas carruagens e uma antiga locomotiva que provavelmente circulou na Linha do Corgo.
Depois de mais uns registos com as máquinas fotográficas, seguimos viagem e um pouco mais à frente, saímos da EN 103, virando à esquerda e entrando novamente na linha para logo mais adiante, atravessarmos a antiga ponte ferroviária de pedra, sobre o Tâmega.
Da ponte em diante e enquanto temos por companhia o Tâmega à nossa direita, todo o percurso é muito bonito, com vistas lindas, bastante e diversa vegetação e algumas partes, rasgado entre as rochas que lhe dão um ambiente mais sombrio e húmido.
Deixamos de ver o Tâmega e entramos numa zona de pinhal também ela muito aprazível e de proporcionar belos passeios de bicicleta ou a pé até chegarmos a um dos apeadeiros por onde não tínhamos passado no sábado, o de Vilela do Tâmega.
Não tanto destruído como outros edifícios de apoio à linha por onde passamos, mas a necessitar de obras de recuperação, a alguém fez lembrar que poderia ser transformado numa sede de alguma associação ou clube, quem sabe até do nosso, tipo núcleo do ARCM por terras transmontanas.
Sonhos à parte, seguimos o nosso destino até ao que viria a ser o nosso maior obstáculo, quiçá a origem do que posteriormente viria a acontecer, depois de o ultrapassarmos.
Falo-vos de um talude bastante íngreme, rasgado pela auto-estrada, que interrompeu a linha do comboio e que tivemos que subir e descer, com as bicicletas, nitidamente às costas.
Aqui, uma vez mais, valeu o espírito de entreajuda do grupo e dos “meninos” que ajudaram as “meninas” a vencerem as dificuldades que eram tão só de peso, não de subir ladeiras, pois a vencer essas, todos nós estamos habituados, pelas caminhadas nocturnas das sextas-feiras e outras que tais.
O pior que nos poderia acontecer e que infelizmente nos voltou a acontecer, foi termos tido mais uma baixa entre o grupo, desta vez o António Oliveira, que sofreu uma valente queda, nos fez sentir uma enormíssima preocupação com o seu estado físico e que teve de abandonar o nosso convívio para se dirigir ao hospital de Chaves, com a finalidade de efectuar alguns tratamento às escoriações e exames de despiste a lesões que poderia ou não ter tido e que graças a Deus, não se confirmaram.
Já com a ambulância a caminho do hospital, seguimos viagem ao encontro do Costa, que viria de Vidago ao nosso encontro e depois seguiria para Chaves a fim de acompanhar o estado de saúde do Oliveira.
Com o Sérgio a pedalar e a levar pela mão a bicicleta do Oliveira, surge-nos mais um contra-tempo, desta vez mecânico. A corrente da bicicleta do Fernando parte-se e sem ferramentas para a reparar, teríamos mais uma baixa, não fosse o caso de alguém se lembrar que ele poderia aproveitar a bicicleta do Oliveira e fazer nela o restante percurso, carregando-se na carrinha conduzida pelo Costa, a bicicleta avariada do Fernando.
Uma vez mais, o apoio do Costa que se deslocou de carro a Chaves, acompanhando o estado do Oliveira, transmitindo-nos informações do que se ia passando no hospital e ainda trazendo-o de novo ao nosso convívio após a alta hospitalar, foi deveras fundamental e só lhe podemos agradecer.
Ao chegarmos ao apeadeiro de Vilarinho das Paranheiras, é que todos nós lembramos do conselho dado na véspera pelo pastor e lhe demos razão. Não fosse ele e provavelmente teríamos feito este trecho do percurso, obstáculo incluído, já quase de noite e ainda com muito para rolar até Chaves.
Com a finalidade de chegarmos a Vidago a horas de fazermos o nosso almoço volante e de nos encontrarmos com a Ana Araújo e o Bruno, seguimos o nosso caminho pelo troço em terra já conhecido e, no meu caso, tendo a companhia de dois amigos BTTistas de Vidago que comigo trocaram experiências de outras pedaladas.
Comemos o nosso farnel junto a uma igreja de estilo românico, local calmo e com alguma sombra, que nos proporcionou um belo descanso para os cerca de quarenta e poucos quilómetros que ainda tínhamos pela frente.
Quem não se achou capaz de nos acompanhar foi o Tiago que desistiu alegando muito cansaço físico e algum psicológico em não conseguir chegar a Vila Real.
Disse-nos que iria deixar a bicicleta nos bombeiros de Vidago e acompanhar a Ana Araújo e o Bruno, viajando daí em diante de carro.
Nós os outros, agora apenas onze elementos, de barriga reconfortada, voltamos à nossa amiga Linha do Corgo, seguindo parte do percurso que não tínhamos feito na véspera, passando desta vez pela velhinha estação de Vidago, também ela numa triste degradação, pelo apeadeiro de Salus e também pelo de Oura.
Este último apeadeiro deveria ser o que tinha a mais antiga estrutura de abrigo aos passageiros, pois toda ela, ainda era construída apenas e tão só em madeira, já muito carcomida pelo tempo e pela bicharada.
Seguindo os conselhos dos bttistas de Vidago e, para não passarmos novamente pelo troço da cascalhada, um pouco mais à frente de Oura e após passarmos à nossa esquerda uma vacaria, voltamos à Nacional 103 e enfrentamos uma valente subida, com o sol a pique e a exigir muito e doseado esforço.
Uma vez mais o Sérgio fez esforço a dobrar (já o tinha feito no sábado por três vezes na subida para Vilela do Tâmega) ao levar a bicicleta da Magda pela mão enquanto pedalava e ela muito cansada fazia a subida a pé.
Já no cimo e perto de Sabroso de Aguiar, após um pequeno e merecido descanso, voltamos à ciclovia em asfalto e à longa recta até Pedras Salgadas, onde paramos para encher cantis, garrafas de água, enfim, repor os líquidos perdidos na subida.
Da ecovia entre Pedras Salgadas e Vila Pouca de Aguiar já está tudo dito na crónica de sábado, havendo apenas a referir que neste sentido sobe ligeiramente, mas nada que atrapalhe estes pedalistas, nem pernas já muito cansadas.
Fiz quase sempre a ecovia no grupo da frente, juntamente com a Elisabete, a Catarina e a Beatriz, mas ao chegar a Vila Pouca de Aguiar, passei para a frente e afastei-me até ao centro da vila. No caminho, ouvi alguém dizer mas não me lembro quem, que ao passarmos por algum local religioso, deveríamos pedir para que nada de mais grave nos acontecesse e assim o fiz.
Entrei só, numa pequena capelinha situada junto a uma rotunda com um chafariz e rezei um Pai Nosso e uma Avé-Maria, pelo João e pelo Oliveira e pedi ainda protecção para todos nós, para o restante percurso até Vila Real.
Quem ficou para trás, deliciou-se com uns geladinhos, já há muito desejados, numa confeitaria de Vila Pouca enquanto eu descansava num banco de jardim e me refrescava com água fresquinha, existente no chafariz da rotunda, já com a companhia do Fernando.
Com o grupo reunido e já com boas notícias, via SMS, do Oliveira, que apenas aguardava o resultado de algumas análises para ter alta hospitalar, seguimos com novo destino, desta vez em direcção a Tourencinho, onde o Costa deveria passar, para carregar a bicicleta do João, isto depois de sair de Chaves e de carregar nos bombeiros de Vidago, a bicicleta do Tiago.
No café onde tínhamos estado no dia anterior e onde estava guardada a bicicleta do João, lanchamos e decidimo-nos separar em dois grupos. Um ficaria à espera do Costa e do Oliveira, que entretanto já vinham a caminho e o outro, na qual me incluí, seguiria caminho em direcção a Vila Real.
Deixamos Tourencinho para trás e iniciamos a subida da ciclovia em asfalto, tarefa mais fácil do que se esperava pois na véspera, pareceu-nos bem mais inclinada, face à velocidade com que a descemos.
Já de novo na terra, eis de novo o Tiago na nossa companhia, cheio de vontade em cima de novo selim, a ultrapassarmo-nos na bicicleta do João. Já não tinha dores, nem no rabinho, nem nas perninhas e na cabeça, já só tinha vontade de ser o primeiríssimo.
Um pouco antes do apeadeiro de Fortunho, tivemos o reencontro com o Oliveira e com o Costa e de novo a companhia do segundo grupo, que para trás tinha ficado.
Faltavam agora, apenas alguns quilómetros para concluirmos a nossa aventura, seguindo o percurso já de todos nós conhecido, sem grande dificuldade e sem problemas de maior, chegar a Vila Real e ainda ter que subir, uma subida nada fácil, e cortarmos a meta, gloriosos dos nossos feitos.
Estávamos todos de parabéns, os mais experimentados e os menos experimentados, nestas andanças das pedaladas, os que pedalaram com boas máquinas e os que o fizeram noutras menos boas, os que fizeram todo o percurso ou apenas parte do mesmo, os que em prol do grupo mais se esforçaram e os que não negaram apoio, enfim todos nós, os que participamos nesta jornada.
Dedico esta crónica ao João Peixoto e ao António Oliveira, pelas razões sobejamente conhecidas de todos nós e, deixo ainda um especial agradecimento à Ana Araújo e ao Costa, por todo o apoio que nos deram, sem tão pouco terem o prazer da aventura, tal e qual nós o tivemos.
Bem Hajam.
24 de Março de 2012
Introdução
A convite do ARCM – Alto Relevo Clube de Montanhismo de Valongo, do qual sou associado e elemento activo em algumas actividades organizadas por este clube, sobretudo as caminhadas em percursos do tipo PR (pequena rota), debaixo da alçada da secção de Trekking, participei no evento denominado BTT – Vila Real – Chaves – Vila Real, realizado no passado fim-de-semana de 24 e 25 de Março, sendo o percurso efectuado na antiga linha de comboio da CP – Linha do Corgo, actualmente desactivada e com alguns troços já transformados em ciclovia e na Ecopista do Corgo, entre Vila Pouca de Aguiar e Pedras Salgadas, inaugurada oficialmente a 16 de Agosto de 2008.
No esquema ao lado, podemos ver parte do traçado da antiga Linha do Corgo, actualmente transformada em ciclovia, com zonas ainda em terra batida e outras já em asfalto (antes de Tourencinho, no sentido Vila Real-Chaves e antes de Vila Pouca de Aguiar, no mesmo sentido) e em Ecopista com piso em cimento, entre Vila Pouca de Aguiar e Pedras Salgadas.
Há também, à saída de Pedras Salgadas e até um pouco mais a diante do antigo apeadeiro de Sabroso, um extenso troço de ciclovia em asfalto, na quase totalidade composto por uma comprida recta.
Em todo o restante percurso, podemos encontrar a terra batida, piso de terra com alguma pedra e ainda um troço com bastante cascalho que servia de lastro às antigas travessas da linha de comboio.
Fomos no total 14 participantes a pedalar e mais 3 elementos que à partida apenas nos iriam acompanhar mas que viriam a ser de apoio e bem fundamentais à nossa aventura e por isso mesmo, todos nós agradecemos à Ana Araújo, ao Costa e ao miúdo Bruno que os acompanhava.
Quanto aos pedalistas, aqui vão os nomes (ordem alfabética) dos grandes aventureiros que por terras de Trás-os-Montes, deram ao pedal com muita energia:
António Oliveira, Beatriz Silva, Carlos Mendes, Catarina Assunção, Elisabete Magalhães, Fernando Pereira, João Peixoto, José Silva, Magda Varandas, Patrícia Silva, Pedro Pires, Sérgio Guimarães, Tiago Costa e Valdemar Freitas.
Pedalamos ± 140 km, por zonas rurais, montanha e atravessando localidades por onde passava a antiga Linha do Corgo, como por exemplo, Tourencinho, Vila Pouca de Aguiar, Pedras Salgadas ou Vidago, entre outras pequenas localidades, onde se situavam pequenos apeadeiros.
É de uma enorme tristeza a situação de abandono e a destruição da quase totalidade dos apeadeiros e de algumas estações, nalguns casos de bradar ao céus, apenas escapando ao vil vandalismo, as estações que situam bem no centro das localidades e a do Tâmega, que actualmente é uma propriedade privada e onde se pode ver algum material circulante, como velhas carruagens e uma antiga máquina a vapor.
Do mal o menos, se é com grande tristeza que vemos um pouco por todo o país, desaparecerem linhas de comboio, sobretudo no interior do país, num desrespeito total pelas gentes e locais que delas necessitavam, apenas com o fundamento de não serem financeiramente viáveis, valha-nos ao menos o aproveitamento e a transformação de algumas dessas linhas em ecopistas e ciclovias.
Perdem os amigos dos comboios, ganham os amigos das caminhadas e das pedaladas.
Feita a introdução, vou iniciar o relato do que foi um belo fim-de-semana entre amigos, num salutar convívio que a todos nós agradou, apesar de uma ou outra adversidade, compensada em muito, pela entre-ajuda e espírito de companheirismo do grupo, que se soube unir em todos os momentos, nos bons e nos menos bons.
Valongo – Vila Real
Partimos de Valongo já com algum atraso e tal não era de admirar, pois carregar todo o equipamento necessário para a estadia em Chaves, como as tendas, os saco-camas, as mochilas e outros materiais no carro que iria até Chaves e ainda conseguir encaixar 14 bicicletas (algumas desmontadas mesmo) nos restantes três veículos que nos levariam até Vila Real, não foi tarefa nada fácil nem muito menos rápida.
Mas lá conseguimos e seguimos viagem com a finalidade de arribarmos a Vila Real o mais cedo possível, onde já nos esperavam o Pedro, o Fernando e o Costa e de onde desejavamos partir, por volta das 10:00 horas, depois de todas as bicicletas montadas e de pequenas mochilas às costas, com destino a Chaves.
Vila Real – Chaves
O atraso até nem foi muito e meia-hora depois do previsto, com a ameça de uma fraca chuvinha à partida, lá iniciamos as pedaladas, atravessamos Vila Real, passamos a ponte sobre o Corgo e tivemos que subir (e que subida para começar) até ao local onde encontramos o trilho que iríamos percorrer da Linha do Corgo, à entrada do local chamado Bouça da Raposa.
Optou-se por iniciar o percurso neste ponto e não na Estação de Vila Real, porque a parte citadina da antiga Linha do Corgo, dentro de Vila Real, tem partes vedadas e outras já integradas na urbe, segundo explicações que o nosso guia nos forneceu.
O primeiro troço, até perto do apeadeiro da Cigarrosa (quase imperceptível), ainda nos arredores de Vila Real, tem partes em que o ambiente é rural e outras com muita vegetação a ladear a antiga linha do comboio de via estreita, como por exemplo a zona em que de ambos os lados nos deparamos com as acácias floridas num colorido amarelo, em forma de túnel.

Estes senhores, a construirem um muro perto do apeadeiro de Cigarrosa, prometeram que na volta de Chaves, estaria por lá uma roulote, onde poderíamos degustar umas belas bifanas.
Teriam vindo a calhar, mas nem o cheiro sentimos.
Os campos que ladeiam a linha, agora não cultivados e as acácias floridas, são dois exemplos de espaços naturais e paisagísticos que encontramos em todo o percurso e que só por si, são dos principais atractivos a que conheçamos este belo percurso em Trás-os-Montes.
Deste apeadeiro em diante, perto de uma pequena pedreira, entramos já em zona de montanha, com muito menos vegetação e com o piso em terra com alguma pedra solta, mas nada que atrapalhe uma bicicleta de montanha.
Seguindo viagem, sempre com bonitas paisagens à nossa esquerda e, contornando alguns montes sempre em plano com muito pouca inclinação, forma da linha de comboio vencer os obstáculos para que não tivesse grandes descidas ou subidas, fazendo um ou outro desvio, devido ao corte da linha por novas estradas e auto-estradas, chegamos ao apeadeiro de Fortunho, onde tiramos a foto de grupo com todos os pedalistas.
Seguindo a nossa viagem por zona de montanha, sempre com bonitas vistas e com o percurso a atravessar zonas rochosas e de menos vegetação, deparamo-nos com mais um edifício em estado de degradação, a estação da Samardã.
Foi mais ou menos a partir daqui, que nos apareceram, as setas amarelas, que indicam o Caminho a Santiago, sinalética já conhecida por muitos de nós e que faz parte do caminho de Viseu a Chaves, recentemente marcado para orientação dos peregrinos a Compostela.
Um pouco mais à frente, seguindo sempre em terreno de terra batida, mais largo do que até então, e após passarmos uma velha casa em ruínas à nossa esquerda, surgir-nos o primeiro asfalto em terreno que era da antiga linha de comboio e que agora é um pedaço da ciclovia do Corgo. Este percurso asfaltado recentemente, tem já uma inclinação que proporciona maior velocidade de andamento e a outras coisas como as quedas, que todos queremos evitar por todos os motivos e mais um.
Mas, o desejado nem sempre é o esperado, e, já praticamente em plano e tendo Tourencinho à vista, acontece-nos o primeiro percalço, a queda do João, bastante aparatosa e a provocar-lhe alguns ferimentos que o levaram, primeiro ao Centro de Sáude e depois ao Hospital de Vila Real e que infelizmente o impediram de continuar connosco e a ter que regressar a casa.
Estas chatices, podem acontecer a qualquer momento e é nestas alturas, que damos o devido valor à entre-ajuda e que agradecemos pelo facto de termos, um carro de apoio, a Ana Araújo e o Costa, que foram impecáveis no apoio ao João, contributo que não nos cansamos de agradecer e que nunca esqueceremos.
Agradecemos também ao José Silva e ao Carlos Mendes, que regressaram a Vila Real de bicicleta, e aí permaneceram até que tudo com o João ficasse resolvido, tendo depois ido até Chaves de carro, e que, dessa forma permitiram que o restante grupo continuasse a pedalar até Chaves.
Depois do “abanão”, chegamos a Tourencinho e aproveitamos esta localidade que em tempos era integralmente atravessada pela linha férrea e que actualmente vê passar as bicicletas em vez dos comboios, para um retemperador abastecimento e para os cafézinhos. Tourencinho é uma terra muito bonita, com muitos motivos de interesse e locais a visitar e a calcorrear em percursos pedestres.
Tourencinho, localidade a visitar e a conhecer com mais tempo.
A tarde já ia um pouco alta e ainda havia muitos quilómetros por percorrer, pelo que era preciso pormo-nos a caminho de Chaves para lá chegarmos ainda de dia. Fizémos-nos ao caminho já de novo em terra, desta vez com muito buracos, em algumas partes devido a obras de instalação de infra-estruturas de esgotos, sempre entre campos onde pastavam ovelhas, burros e vacas, até que chegamos ao apeadeiro de Zimão.
Ainda em terra, passamos pelo apeadeiro de Parada de Aguiar, onde agora funciona uma oficina de reparação de motas e bicicletas e um pouco mais à frente, logo após uma pequena ponte em ferro sobre um ribeiro e nas imediações de um altíssimo viaduto/ponte da auto-estrada, entramos novamente na ciclovia em asfalto que nos haveria de levar até à entrada de Vila Pouca de Aguiar.
<– Apeadeiro de Parada de Aguiar
A ciclovia de Parada de Aguiar a Vila Pouca de Aguiar –>
Em Vila Pouca de Aguiar, no lugar da linha existem agora rotundas e estradas mas a antiga estação ainda lá está e bem conservada, talvez adaptada a outras funções que não a de ver partir e chegar passageiros.
A nossa passagem por Vila Pouca, por isso mesmo, foi rápida. Logo à saída da vila, encontramos a já referenciada Ecopista do Corgo, que daqui parte até à estância termal de Pedras Salgadas.
Esta ecopista, no sentido Vila Pouca de Aguiar – Pedras Salgadas, tem uma pendente descendente com uma pequena percentagem de inclinação que permite uma descida rápida mas que também exige mais cautelas no seu percurso.
Há que ter cuidado com os equipamentos que impedem o trânsito de outros veículos (pequenos postes) e ainda nos cruzamentos que a mesma tem com algumas estradas locais a exemplo dos ainda existentes “Pare, Escute e Olhe” que em outros tempos nos alertavam para o perigo nas passagens de nível sem guarda.
Antes de chegarmos a Pedras Salgadas, ainda passamos por mais um apeadeiro, o de Nuzedo, antiga paragem dos comboios mas que para nós serviu para mais uma foto de grupo.

Em Pedras Salgadas, num quase final de tarde de sábado, poucas pessoas se viam e, nós também por lá não ficamos muito tempo e seguimos viagem pelo centro da localidade, passamos por um parque radical, ao lado de uma estrada ladeada de plátanos, sempre no antigo percurso da linha de comboio e, à saída, voltamos à ciclovia em asfalto, que iniciava uma extensíssima recta que só terminaria já bem depois do apeadeiro de Sabroso de Aguiar.









































































































