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27 de Outubro de 2013
1º Passeio Solidário TapafurOs / AAPEL
Face ao desafio que me foi lançado pelo amigo Luís Valente, o ilustre Presidente dos Tapafuros, para redigir uma breve crónica sobre o 1º Passeio Solidário Tapafuros e pese embora no Dar ao Pedal, as crónicas serem assinadas por um excelente redactor, o Augusto Tomé, desta vez vou ter de redigir umas notas sobre este Evento, perante o pedido que me foi feito.
Foi uma manhã bem passada na companhia de amigos do pedal, com a malta do Minho, já que os companheiros do Grupo Dar ao Ped@L desta vez não me acompanharam nesta aventura, por um lado pela distância e por outro por não terem sido licenciados pelas respectiva patroas, sim por lá em casa, ainda são elas que mandam e o almoço tinha de estar pronto a horas.
Depois de no dia anterior ter descarregado o track e ter dado uma espreitadela á Altimetria e ao percurso no meu GPS, o passeio parecia acessível, subir dos 18 m aos 590 m, numa distância de 18 kms, não seria difícil para quem está habituado a enfrentar os desafios do NGPS.
Cheguei a Ponte de Lima, junto á Alameda de S. João, local de concentração, com o sol a brilhar sobre o rio Lima.
O S. Pedro também decidiu dar tréguas e veio dar uma ajuda a esta causa.
Às 08.15h os Tapafuros encontravam-se já em grande azáfama a organizar a logística para receber os participantes.
Como gosto de chegar com tempo, depois das habituais saudações, lá fui levantar o meu dorsal e conversar com alguns amigos, que vou conhecendo nestes Eventos.
Enquanto chegavam os mais atrasados para levantar o respectivo dorsal, aproveitei entretanto para aquecer a bike e perante o bonito cenário que encontrei na margem esquerda do rio Lima, junto á ponte velha, queimei algum tempo a tirar fotos.
Sim porque no Grupo Dar ao Pedal, para além das voltas domingueiras a pedalar, o nosso hobbie é também fotografar, nos passeios que regularmente fazemos.
Feita a apresentação pela AAPEL , a agradecer o contributo dos participantes, do brefing do Luís Valente e da entrega do donativo á AAPEL de 1.000 Euros e mais alguns trocos (palavras do Luís), foi altura de cantar os parabéns ao aniversariante Tapatfuros, Vitor Gomes.
Seguiu-se a partida, com a cerimónia do corte da fita pelo Sr. Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Eng.º Victor Mendes e uma breve passagem de cortesia pela bonita vila de Ponte de Lima.
Depois desta pequena volta e regressarmos ao Largo de Camões, toca a pedalar e a carregar baterias, em direcção á montanha.
Aí começaram as dificuldades, em que os mais velozes tomaram o comando do pelotão.
Ai queres monte? como diz o nosso amigo António Oliveira. Ora toma lá com umas paredes que é para saberes o que é bom .
Pelo percurso reinava a diversão, alguns aproveitando para tirar umas fotos divertidas como o Grupo Rorizbtt Acrr, integrando o famoso fotógrafo do Grupo de provas de Btt e amigo, Eduardo Campos, que desta vez também decidiu vestir uma jersey e uns calções e acompanhar-nos com a sua bike.
Não faltavam outros amantes de fotografia, com os respectivos canhões a disparar, á procura da melhor Picture para se candidatarem ao desafio da Melhor foto , um concurso lançado pelos Tapafuros.
Uma autêntica festa de btt, animada também por quem tinha levado buzinas.
Mas não pensem que foram só facilidades, também houve alguns contrariedades, com betetistas a maltratarem as máquinas e os problemas mecânicos a acabarem por surgir, coisa que não fosse logo de imediato remediada com o pronto socorro dos Tapafuros e do INA MEN, Ângelo Cardoso e da ajuda do mecânico Ricardo da ADN Bike, uma das lojas patrocinadoras do evento.
Quanto ao reforço, ao 13 kms, nota máxima, onde ao Kms – 2 a sinalética já anunciava as Mac Bolas de Berlim e ao chegar Km – 1 os betetistas começavam a afiar o dente.
Um lanche, muito bem servido pela equipa da AAPEL, meninas/senhoras muito simpáticas, onde para além das bolas de Berlim, não faltaram outros doces, as tradicionais bananas, laranjas, mel, sumo e o Favaios, a Bebida energética dos Tapafuros, que não poderia faltar.
No local do reforço surgia a separação dos 25 para os 35 kms, ou regressávamos á vila mais cedo e ficamos pelo percurso dos 25 kms e começávamos já a descer, ou então para quem ainda tivesse pernas, atrevia-se a fazer o percurso dos 35 Kms e subir mais uns Kms.
Resolvi aceitar a sugestão do Ângelo e fazer-me aos 35 Kms, até porque ainda eram 11.00 horas.
Na subida parei para tirar mais umas fotos e para descansar, na ânsia que entretanto chegasse alguém para me fazer companhia, não fosse precisar de ajuda, caso aparecesse o famoso milhafre e decidisse fazer estragos e atacar as câmaras da minha menina, apesar de as ter protegido com gel, para afastar esse malvado.
Lá acabei por encontrar um parceiro que me acompanhou até ao final do percurso.
O humor reinou ao longo de todo o percurso, nas placas que os Tapafuros foram colocando para encorajar os ciclistas, nas árduas subidas e para não se distraírem nas descidas com a paisagem, pois a moça do bikini estava sempre a aparecer ao longo do caminho.
A subida, diga-se que não foi nada fácil, chegamos a encontrar uma autêntica parede, onde tivemos de levar a menina á mão, mas depois de atingirmos o topo (587 m de altitude, ao Km 18,4), veio a recompensa: fomos brindados com uma descida técnica, rodeada de uma bela paisagem, onde se encontrava o amigo Serafim Galvão acompanhado de uma menina de bikini, para evitar que os mais distraídos se “esbardalhassem” no trilho.
Retomado o local de reforço, nova paragem obrigatória para retemperar forças e provar o Favaios, a dar azo á adrenalina, sim porque agora era quase sempre a descer.
Alguns dados a reter ( Trajecto que podem consultar no Garmin no link http://connect.garmin.com/activity/396890117):
Distância total: 32, 43 Kms
Subida total 879 m. Elevação: 4 m de elevação mínima (partida) até chegarmos ao 587 m (Km 18,42), no percurso de 35 Kms
Ganho de elevação: 1.014 m
Tempo: 3:47 h
Resta-me agradecer aos amigos Tapafuros a forma como me acolheram e dar-lhes os Parabéns pelo excelente evento que organizaram, associado a um projecto solidário da AAPEL – Associação dos Amigos da Pessoa Especial Limiana, cujos fundos se destinaram á construção de um centro de actividades ocupacionais daquela instituição.
Bem hajam e até ao próximo evento. quem sabe não será na Castanhada, já no próximo domingo em Arcos de Valdevez, um passeio a não perder.
Mário Dantas
4 a 8 de Setembro de 2013
Rumo a Santiago 2013
O prólogo
O prólogo do nosso Caminho foi longo, passou por muitos sóis e luas, teve muitos pisos e mudanças de direcção, mas, com muito esforço e querer, foi percorrendo léguas e vencendo obstáculos, até à madrugada em que terminou e a que deu lugar, ao início da verdadeira aventura e ao fim da angustiante ansiedade.
Ele foi toda a logística, definir datas possíveis e escolher os dias, saber em que terras ficar e tratar dos alojamentos, de arranjar patrocinadores e apoios, fosse monetariamente ou em equipamentos, arranjar transporte para nos levar a Chaves e trazer no regresso de Muxia até ao Porto, fazer chek-lists, planos de viagem, listas de dicas, de equipamentos e acessórios a levar, elaborar dorsais, cartaz e brindes, tudo isto como deve ser feito, com muito empenho e dedicação.
Todo este prólogo, foi bem preciso, pois de outra forma, não haveria espírito de grupo, não haveria união, enfim não haveria uma aventura, um caminho e, não pode haver dúvidas que, para haver umas boas etapas, um bom Caminho, é essencial um bom prólogo, um bom plano de viagem para o Caminho a realizar.
Ass: Valdemar Freitas
A primeira etapa – Chaves / Ourense
“Segue o teu destino…
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra de árvores alheias”
Fernando Pessoa
Removida a ansiedade e após algumas horas de descanso, porque na verdade ninguém em seu perfeito juízo conseguiu descansar, por volta das 5 horas da manhã, conforme previamente combinado, seguimos no mini-bus até Chaves, não sem antes acontecerem dois percalços, o primeiro veio através de sms, o nosso amigo e companheiro Emanuel Mascarenhas, por motivos de saúde à última hora não nos pode acompanhar, o segundo não tão grave, é verdade, mas não menos decepcionante, deixei cair a câmara de filmar no hall do meu prédio. Já seguíamos na A4 quando dei pela falta dela, roguei tantas pragas #$*+%&, mas pronto lá me mentalizei, pelo menos tive tempo de sobra para me concentrar apenas e só em pedalar.
A viagem até Chaves, o nosso ponto de partida, decorreu calmamente, chegados a Chaves, paramos numa praça onde existe um belo jardim / parque e muitos cafés com esplanadas, que claro está, estavam todos fechados e só dali a algum tempo abririam, descarregadas as bikes e mochilas, tratamos de montar as nossas bicicletas de modo a nos fazermos ao caminho, avizinhava-se um dia longo e duro, que viria a revelar-se especialmente difícil para mim.
Bicicletas montadas, mochilas às costas, andamos alguns metros até junto do rio Tâmega, para tirarmos as fotos de grupo da praxe, orgulhosos e vestidos a rigor, como é evidente, com o equipamento do nosso patrocinador de sempre nos Caminhos de Santiago – a Lampre – daqui endereço o nosso agradecimento em nome do grupo e de todos os participantes.
A nossa passagem onde quer que aconteça não passa despercebida, já que os equipamentos cor de rosa forte, evidenciam a nossa passagem em qualquer local, seja ele cidade, campo ou monte, somos avistados ao longe, as pessoas ficam curiosas e questionam-nos imensas vezes para saber se somos italianos.
Deslocamo-nos até ao local de partida para carimbar as credenciais de peregrino, este carimbo teve que ser na Igreja, porque o dono do café onde tomámos o pequeno almoço ainda não se deu conta do negócio que eventualmente está a perder por não ter um carimbo, pequeno almoço tomado e mais algumas fotos e arrancámos em direcção à nossa demanda´.
No local de onde saímos a pedalar, existe um marco que assinala o início do “Caminho Português Interior de Santiago”, para quem, como nós sai de Chaves, pois este caminho, segundo o seu próprio site, tem inicio em Viseu ( ver em http://www.cpisantiago.pt/o-caminho/ ).
Arrancámos, atravessámos uma feira, uma zona industrial, sempre seguindo a sinalética existente, as setas amarelas, algumas acompanhadas de vieiras.
Importa aqui dizer que a generalidade do percurso encontra-se muito bem marcado, ora pelas ditas setas amarelas, ora por marcos com vieiras ou outras estruturas do género, isto no meu entender, é claro, já que foi a primeira vez que fiz um Caminho de Santiago, não posso avaliar os outros, mas acho que este não está mal, é difícil alguém se perder, basta ir com um pouco de atenção, talvez a minha avaliação esteja sobrevalorizada, já que viajei sempre com os trajectos de GPS, que tinha sacado previamente.
Alguns quilómetros percorridos e parámos para assinalar a nossa entrada em território Espanhol, mais propriamente na Comunidade da Galiza. Aqui aconteceu um episódio engraçado, 3 senhoras que caminhavam e às quais pedimos para nos tirarem uma foto, e uma delas entendeu mal e colocou-se em pose para a fotografarmos, lol. Foi necessário explicar-lhe que queríamos era que fosse ela a fotografar-nos, as amigas dela também acharam piada.
Os quilómetros foram passando, sem sobressaltos, a viagem revelava-se por enquanto calma e pacifica, atravessámos algumas aldeias, e chegámos a Verin, aqui parámos para tomar um café e carimbar, mas uma vez mais o carimbo teve que ser obtido no Albergue / Posto de Turismo, que inicialmente julgávamos estar fechado, pois este café espanhol, também está fora do quão comercial são os ditos Caminhos de Santiago.
O nosso Caminho de Santiago foi continuando, num misto de caminhos rurais, estradas e monte, mas nada de agressivo, a viagem estava a correr lindamente, durante a manhã pelo menos, não encontrámos falta de água, nas aldeias e pelo caminho existia sempre onde abastecer.
Chegámos a Laza, estavam percorridos qualquer coisa como 40 kms aproximadamente.
Resolvemos parar para almoçar e abastecer as nossas energias que já bem precisávamos, quem levou sandes sentou-se numa sombra, eu o Jorge Bastos e o Domingos Queiróz, fomos ao Bar do Peregrino, comer uns bocadillos (sandes), grandes à brava, mas como a fome apertava, foi tudo, e caros amigos quando estiverem em Espanha, nomeadamente na Galiza, por favor falem Português, senão já sabem levam um correctivo, isto porque o Jorge pediu ao empregado uma cerveja Mahou, mas na linguagem Portanholeguês e o empregado disse-lhe, e passo a citar “Num percebi um c******” explicito, lol…
Bem almoçados, arrancámos para a parede que já sabíamos que nos esperava e que iria até Albergaria, e… meus amigos, aqui foi descalabro total, pelo menos para mim, mas todos nós nos ressentimos um pouco, da enorme subida pelo monte, quase sem sombras, com uma inclinação assinalável, a maior parte de nós fê-la a pé e com a bicicleta à mão, embora ciclável, era muito dura, mesmo, neste ponto tenho que ressalvar os 2 heróis do dia, foram eles, o Mário Dantas que fez jus à sua inesgotável resistência e subiu quase todos aqueles quilómetros em cima da “menina” dele e ao Domingos Queiróz, que com o seus honrosos 115 Kgs, conseguiu a proeza de chegar ao topo primeiro que eu e fez para aí 90% da subida a pé, não estou a exagerar foi mesmo assim, grande companheiro este homem, com uma força de vontade marcante.
Tive de facto muitas dificuldades para subir esta parede, aqui o factor psicológico, deu cabo de mim, o calor era imenso, tinha muito pouca água, e gerir 200 ml de água durante alguns quilómetros arrasou comigo, o Jorge com a sua boa vontade ofereceu-me água com aditivo para me dar força, mas como estava como caldo, tive que parar de imediato, senão virava o barco, como eu conheço bem o meu corpo, as paragens e a gestão do descanso foi a minha salvação, chegado ao topo tinha os meus companheiros, todos, à minha espera e segundo o Mário quase à uma hora, que seca, desculpem amigos, além da espera ainda me deram um empurrão numa demonstração de amizade e solidariedade, não é desculpável, mas a partir daqui felizmente nunca mais tive problemas e toda a viagem correu lindamente.
No topo uns metros à frente chegámos ao “Rincon del Peregrino”, um pequeno bar com a particularidade de ter as paredes e tectos, cobertos de vieiras e onde, também nós, assinalámos a nossa passagem com uma vieira com a inscrição do Dar ao Ped@L.
A partir daqui começou o martírio no nosso amigo e presidente António Oliveira, furos, mais furos e furos ao cubo, ele eram aos 4 em cada roda e ele a bombear, por acaso assinalo aqui a “mea culpa” ninguém se ofereceu para encher os pneus ao homem. Todos estes furos, deveram-se ao facto de terem andado a limpar os caminhos e deixarem o mato com aqueles picos que parecem agulhas depois de secos, mesmo quem tinha câmara de ar com gel furou, mas aguentaram-se, furaram também o Domingos Queiróz e o Sérgio Zulu. Os quilómetros sucediam-se, as aldeias, vilas e lugares desertos, alguns inóspitos, mas sempre belos, a noite aproximava-se, era hora de montar luzes para podermos circular em segurança, era já noite escura quando chegámos a Ourense, chegámos ao hotel estacionámos as bicicletas, tomámos banho e fomos alegremente jantar, que bem merecíamos.
Ass: Augusto Tomé
Estatísticas do primeiro dia, clica aqui
Foto reportagem do primeiro dia aqui
A segunda etapa – Ourense / Silleda
“Meias verdades.
Meias vontades.
Meias saudades.
Viver pela metade é ilusão.
Tire suas meias. Ponha o pé no chão. “
Augusto Barros
O segundo dia começou bem cedo, eu e o meu companheiro de quarto – o Valdemar Freitas, tomamos o pequeno almoço, passado um pouco vieram os restantes companheiros, o Valdemar teve um ligeiro stress porque após bater na porta do quarto do Oliveira e do Domingos, ninguém falava, afinal os danadinhos estavam na cave a preparar as respectivas bikes e a colar furos, ainda restos do dia anterior, sem dizer nada a alguém!
Contas feitas, carimbos colocados, mochilas às costas, arrancámos em direcção ao nosso segundo dia de aventura e peregrinação.
Atravessámos a cidade de Ourense e aproveitámos para tirar algumas fotos de grupo, a manhã apresentava-se chuvosa, nada de grave, apenas uns pingos de chuva, mas a temperatura estava no ponto ideal para pedalar.
Atravessada a cidade, passámos por um pequeno túnel, e meus amigos, eis que se nos apresenta a primeira parede do dia, uma subida daquelas dignas de ser vista, esta é uma subida onde é costume fazerem concursos para ver quem aguenta a subida até ao cimo, o campeão é um artista, empregado de café, que faz a subida com uma mão e uma bandeja com copos na outra, vocês não imaginam como aquilo sobe, só mesmo vendo ou estando lá, todos nós subimos, uns de bicicleta e outros a pé, na liderança o Mário, eu segui-lhe as pisadas, o Jorge, o Valdemar, o Sérgio, o Oliveira e por fim o nosso amigo Domingos, que anda devagar, mas não vacila.
No topo da subida está colocado um abençoado fontanário, que embora expele a água com uma força bruta, serve perfeitamente para refrescar… tudo! E abastecer de água caso alguém precise.
Os quilómetros vão passando, não muitos ainda, e chegámos à Casa do César, uma figura característica ao estilo do dia anterior no Rincon del Peregrino, muito amável e a convidar-nos a entrar no seu “boteco” onde também acumula inúmeras recordações de peregrinos, uns conhecidos, outros nem tanto, também aqui o Dar ao Ped@l, deixou a sua marca no livro de honra, o César brindou-nos ainda com rabanadas, pão, café, vinho, fruta e algumas guloseimas para o caminho. Assinalável é o facto de as pessoas nestas pequenas aldeias, aguardarem a passagem dos peregrinos para animarem o seu dia e se possível ganharem algum dinheiro com isso, o César não cobra nada, mas tem uma “leiteira” pendurada e as pessoas dão o que entenderem ser justo pelo seu pequeno agrado (serviço), a sua simpatia e alegria, são claro está, grátis!
Também aqui tiramos algumas fotos em grupo com este simpático galego e sua bicicleta “Peugeot” já com uma idade considerável.
Seguimos caminho, os trilhos multiplicam-se por montes e vales, subimos e descemos, atravessamos pontes, antigas algumas, estradas caminhos por já passaram séculos de história, de quando em vez abrandámos para abastecer de água, comer alguma coisa para repor energias.
Os quilómetros foram-se acumulando e é chegada a hora de almoço, tínhamos uma sugestão do César para ir almoçar, mas teríamos que nos desviar do Caminho, optámos por não o fazer, porque ainda tínhamos muito para andar, este dia não tinha tantos quilómetros como o anterior, mas afigurava-se muito mais duro, pelo acumulado que oferecia, acabámos por almoçar numa floresta muito calma e bonita, onde tirámos umas fotos com as meias de compressão – CEP – que nos foram gentilmente oferecidas por mais um patrocinador – MEDI, foi também um dos excelentes momentos de diversão que tivemos durante esta aventura, ao posarmos para a foto dando destaque às nossas novas meias de compressão, e que jeito que deram amigos, a coisa funciona mesmo!
As subidas vão-se denunciando, não muito violentas, mas aos poucos vamos subindo, as descidas também são do nosso agrado, até que chegamos ao Mosteiro de Oseira, um edifício imponente, sem dúvida uma jóia da arquitectura, mas como o nosso tempo é curto, não visitámos o seu interior, aproveitámos para tirar fotos e tomar um café, já que, aqui mesmo apresenta-se uma das maiores dificuldades deste trajecto, uma subida e uma descida com as bicicletas à mão, não há como contornar isto.
Subimos, subimos, mais algumas fotos para a posteridade e continuámos a subir, as vistas enchem-nos a alma e o coração, as nossas meias são uma ajuda preciosa, ninguém se queixa de dores nos músculos, está tudo a correr bem. Pelo meio alguns de nós aproveitam para colher e comer amoras silvestres, a mim faz-me lembrar os meus tempos de criança.
Silleda que era o nosso destino nunca mais aparecia, depois da descida à mão no Concelho de Cea, provavelmente o concelho mais difícil de atravessar, pelo seu relevo radical, a determinada altura do nosso percurso estávamos a pedalar ao lado de uma via rápida, protegida por uma rede de resguardo, rede esta que estava repleta de pequenos crucifixos feitos pelas pessoas que ali passaram, é claro, que também nós, o Dar ao Ped@L, assinalou ali a sua passagem.
Como praticamente não tínhamos almoçado, o Jorge resolveu e bem, que deveríamos comer alguma coisa, já estávamos no final da tarde e ainda nos faltavam uns 10 kms até Silleda e que bem que soube aquele bocadillo, alguns companheiros não concordaram e seguiram viagem, foram eles, o Oliveira e o Domingos, que foram andando na frente, enquanto nós repusemos energias.
No meio disto tudo, os nosso dois amigos adiantados perderam-se e acabamos por chegar quase ao mesmo tempo que eles. Do local onde lanchámos até Silleda foi praticamente sempre a descer, por trilhos e florestas espectaculares, algumas estradas pelo meio também, ou seja, foi a adrenalina total. Chegámos a Silleda já quase noitinha, este foi o dia mais duro, com mais acumulado, mais subidas e bastantes descidas, curiosamente todos estavam aparentemente em bom estado físico.
Ass: Augusto Tomé
Estatísticas do segundo dia aqui
Foto reportagem do segundo dia aqui
A terceira etapa – Silleda / Santiago de Compostela / Negreira
“Pó, lama, sol e chuva
é o Caminho de Santiago.
Milhares de peregrinos
e mais de um milhar de anos.”
E.G.B.
Estamos no nosso terceiro dia de viagem, com 176 quilómetros percorridos e 3.489 metros de acumulado nas pernas, este dia reveste-se de especial misticismo e alguma ansiedade, hoje é o dia que chegaremos a Santiago de Compostela. Para mim (Augusto Tomé) é uma absoluta estreia, de bicicleta é claro, já visitei algumas vezes Santiago, mas nunca numa peregrinação, daí este dia, também para mim ser um dia especial, mas creio que todos nós, independentemente dos motivos que nos movem, consideramos a chegada a Santiago de Compostela um marco especial na nossa viagem / peregrinação.
Pequeno almoço tomado, bicicletas ligeiramente lavadas, mochilas às costas, contas feitas e carimbos colocados, iniciámos a nossa viagem com mais significado, espiritual para uns, objectiva para outros, mas todos com vontade de chegar.
Neste dia encontrámos a descida mais radical de todo o percurso, numa pequena estrada secundária alcatroada até à localidade de Ponte Ula, onde atingimos velocidades vertiginosas.
Não foi possível andar mais rápido porque existiam já muitos peregrinos a pé pelo Caminho, presença que até aqui quase não tínhamos notado. Na verdade nos dois primeiros dias de viagem andamos praticamente sós pelos imensos caminhos, já muito percorridos. Aqui e acolá encontramos alguns grupos de espanhóis também a fazerem “o seu caminho” de bicicleta, mas não encontramos nenhum português.
Os quilómetros vão-se acumulando nas pernas e nas bicicletas, Santiago está cada vez mais perto, o número de peregrinos é já assinalável, sente-se no ar a carga espiritual, todos trocam olhares e cumprimentos – “Bom caminho”, alguns quilómetros antes de Santiago, resolvemos parar num café à beira da estrada e almoçar uns bocadillos para assim chegarmos a Santiago e desfrutarmos o máximo que nos fosse possível, já que estávamos limitados no tempo disponível em Santiago, tínhamos ainda que percorrer cerca de 20 kms até ao nosso destino para pernoitarmos – Negreira.
Pelo caminho o Sérgio Zulu, com alguma atrapalhação e a paragem para vestir os impermeáveis, já que fomos recebidos pela chuva quase à chegada, descolou-se do grupo e quando o tempo começava a passar e não o encontrávamos, resolvemos ligar-lhe, o rapaz já estava na Praça do Obradoiro, em Santiago, melhor dizendo deu corda aos pedais. Nós continuamos no nosso ritmo habitual de pedalar, fotografar e usufruir de tudo o que nos é possível, ao máximo.
Um dos momentos com mais significado para nós, neste dia, foi a passagem no local onde aconteceu o acidente do TGV em Santiago, em Julho passado. O nosso caminho passava mesmo por cima da linha do comboio, a ponte está repleta de mensagens, ramos de flores e inúmeros objectos carregados de mensagens e de solidariedade. Acho que aqui todos nós tivemos um momento espiritual e/ou de respeito pela carga emocional do local onde estávamos. Também aqui o Dar ao Ped@L marcou a sua presença e assinalou a sua passagem em sinal de respeito pelas vítimas do acidente de comboio de Santiago de Compostela, deixando uma pequena lembrança, com o logótipo do grupo, no memorial às vitimas.
Arrancámos com o semblante algo carregado, acho que nenhum de nós imaginava passar neste local, de certo modo mexeu connosco, diz-nos pelo menos para reflectir um pouco sobre as nossas prioridades. Seguimos caminho e ao começar a descer uma rua de pedra irregular, olhámos em frente e já se avistavam as torres da Catedral de Santiago de Compostela. Estávamos quase lá, Santiago é já ali, percorremos as ruas da cidade e eis-nos na Praça do Obradoiro, abraçamos-nos uns aos outros, cumprimentámos-nos, felicitámos-nos, conseguimos, atingimos o primeiro dos nossos objectivos.
O local por si só incita à êxtase espiritual, a praça está repleta de peregrinos, o Valdemar comenta que não se recorda de ver tanta gente nas outras peregrinações, nomeadamente num dia de semana (6.ª feira). Tiramos as fotos de praxe e as fotos pedidas por alguns patrocinadores e dirigimos-nos depois à Oficina do Peregrino para nos colocarem o carimbo e facultarem a Compostela.
Cada um de nós já com a sua Compostela devidamente acondicionada, era hora de comprar alguns recuerdos para familiares e amigos e fazermo-nos ao caminho novamente, não sem antes voltarmos à Praça do Obradoiro e desfazermos uma pequena tarte de amêndoa típica de Santiago, que o Sérgio Zulu teve a amabilidade de comprar e dividir por todos, deve ter sido para nos compensar pelo adianto que nos deu.
Partimos de Santiago com destino a Negreira e surgiram logo algumas descidas fantásticas, mas como o que desce sobe, também não faltaram as subidas, paramos entretanto para abastecer, mais um bocadillo e fazemo-nos ao caminho novamente.
Mais umas quantas subidas e descidas, passamos por uma localidade muito bonita, chamada Pontemaceira, onde atravessamos uma ponte antiga de pedra, tiramos mais umas fotos e seguimos. Negreira era já ali ao virar da esquina. Este foi o dia até agora que chegamos mais cedo ao hotel, deu para descansar um pouco e jantar mais relaxadamente, comemos uma churrascada e que bem que nos soube para repor energias.
Em Negreira existia uma Feira do Românico, para nós portugueses era mais uma feira medieval. Após o jantar fomos dar um pequeno passeio pela feira e, quase ao terminar, uma das bancas no local era do Club Ciclista de Negreira.
Estes amigos muitos bem dispostos lá convenceram o Jorge Bastos, o Valdemar, o Sérgio Zulu e o Mário Dantas, acho eu, deste último não tenho a certeza, a beber umas bebidas preparadas por eles próprios, daquele tipo de bebidas que dão energia, vocês sabem do que eu estou a falar, só para vos elucidar uma das bebidas era vinho tinto, coca-cola e gelo, e ao que parece a coisa funcionava. E assim terminámos a nossa noite mais relaxados, fomos descansar que no dia seguinte tínhamos mais um desafio pela frente.
Ass: Augusto Tomé
Estatísticas do terceiro dia aqui
Foto reportagem do terceiro dia aqui
A quarta etapa – Negreira / Fisterra
“Será que cheguei ao fim de todos os caminhos
E só resta a possibilidade de permanecer?
Será a Verdade apenas um incentivo à caminhada
Ou será ela a própria caminhada?
Terão mentido os que surgiram da treva e gritaram – Espírito!
E gritaram – Coragem!”
Vinicius de Moraes
Como habitualmente, acordámos cedo tomámos o pequeno almoço, contas feitas e um pequeno desacerto com a senhora da recepção, uma pessoa não muito simpática é o mínimo que se pode dizer, foi a primeira que encontrámos, algumas pessoas permanecem indiferentes, mas a generalidade é simpática, esta não! Não perdoou a reserva para oito pessoas e teve que se pagar.
Depois de alguns pequenos reparos em algumas bicicletas, partimos de Negreira em direcção ao que seria o nosso próximo objectivo – Finisterra – em galego, Fisterra, tínhamos pela frente aproximadamente 100 kms, 70 até Fisterra mais 30 até Muxia, local onde contávamos pernoitar.
O Sol neste dia tinha uma luz particularmente bonita, talvez por estarmos mais perto do oceano, de manhãzinha os fotógrafos de serviço tiraram algumas belíssimas fotos. Este foi o dia em que encontrámos o maior numero de peregrinos, a quantidade de gente que faz o caminho até Fisterra é impressionante, encontrámos peregrinos a pé e de bicicleta ao longo de todo o trajecto até Fisterra.
Este trajecto a par, com algumas “autoestradas” que tínhamos feito nos dias anteriores, foi talvez o melhor dos dias para pedalar, andamos muito, bem e depressa, eram autênticas auto-estradas de terra batida, descidas alucinantes e subidas, ah, as subidas que tanto fizeram o Domingos sofrer, a maioria eram cicláveis na sua quase totalidade, o nosso companheiro resistente percorreu-as quase todas a pé, custou mas não vacilou, grande homem.
Pelo meio do percurso, até deu para haver uns picanços com uns betetistas espanhóis, nas descidas mais agrestes com pedra solta e afins, daquelas próprias para partir a cabeça, alguns de nós fizemos aquilo em cima das nossas bikes, um dos espanhóis teve azar, coitado, esbardalhou-se mesmo à frente do nosso amigo Valdemar e à minha frente, o Valdemar pensou melhor e resolveu fazer a coisa a pé, não fosse o Diabo tecê-las, é assim mesmo, o espírito do Dar ao Ped@l, na dúvida, desmonta-se.
Um pouco antes da atingirmos a divisão para Fisterra e Muxia, paramos num bar muito simpático, onde comemos uma sopa divinal, um caldo galego, todos ficámos com o estômago e alma mais aconchegados com aquela sopa.
Seguimos viagem, as auto-estradas em terra batida continuavam, já se avistava o mar há algum tempo. Chegamos a Cee e foi aqui que o Jorge Bastos quase que lhe dava uma coisinha mais forte “Mas porque é que não vamos ao banho?”. O mar de facto convidava, era de um azul claro, brilhante, apetecia mesmo entrar por aquela água dentro, ele é que estava certo, mas ninguém alinhou. Aqui foi o dia e o local onde o grupo mais se desintegrou, talvez fruto do cansaço ou a ânsia de chegar ao destino.
Eu, o Jorge, o Mário e o Domingos parámos para beber alguma coisa fresca num parque de campismo e aproveitámos e demos uma lavadela às nossas bicicletas, que estavam com as transmissões cheias de pó, das auto-estradas claro, seguimos e passado um pouco estávamos em Finisterra / Fisterra. O Valdemar e o Oliveira aguardavam-nos, mais o Sérgio Zulu, já com as suas Fisterradas na mão e à nossa espera para nos levarem até ao Albergue Municipal, para também nós levantarmos a Fisterrada, ou seja o certificado que atesta que completamos o caminho de Santiago até Finisterra.
De seguida, pedalamos até ao farol, todos diziam que era duro, o facto é que ninguém se queixou e fizemos os 3,5 kms a subir sem qualquer dificuldade, talvez por termos o vento pelas costas. Atingimos o quilómetro zero, um marco para toda a gente que faz o Caminho Pagão até Finisterra, convém repetir que este foi o caminho onde encontrámos mais gente, muita gente mesmo.
O farol embora retenha o seu misticismo, local onde terminam os Caminhos de Santiago, onde há a tradição de os peregrinos queimarem uma peça de roupa ou calçado que usaram, a mim, desagradou-me um pouco, estava sujo e com muita gente, demasiada, mas o local é enigmático, disso não há dúvida, ali para onde quer que olhe só se vê mar.
No regresso do farol a Fisterra, surgiu a dúvida existencial de todo o percurso que tínhamos feito até aqui, ainda teríamos 3 a 5 horas de caminho pela frente e estava a anoitecer. Aguentaríamos mais esse tempo todo a pedalar, esses quilómetros finais, de noite?
O Sérgio Zulu em boa hora sugeriu pernoitarmos em Finisterra. Bem meus amigos, foi a melhor sugestão do percurso, se tivéssemos seguido caminho, eventualmente teríamos terminado mas teria sido muito perto da meia noite. Foi muito melhor assim, ainda estivemos para ficar num albergue privado, mas mesmo ao lado, arranjámos um pequeno hotel com lugar para todos e garagem para as bicicletas, um hostal muito acolhedor e de gerência familiar.
Guardámos as bicicletas, tomámos banho e fomos jantar que bem merecíamos.
Ass: Augusto Tomé
Estatísticas do quarto dia aqui
Foto reportagem do quarto dia aqui
A etapa extra – Fisterra a Muxia
“Livre como um pássaro
vai o meu pensamento,
cortando o tempo
por terra, céu e mar.
desliza pelo chão,
corre contra o tempo,
galopa sem parar
sobre as ondas do mar.”
Ricardo Ohara
Uma pequena reflexão, antes do relato desta etapa. Ainda bem que não a fizemos de noite, pois apesar de termos boas luzes, não veríamos com toda a certeza, as paisagens que vimos de dia, nem desfrutaríamos os trilhos da forma que acabamos por desfrutar, sobretudo as descidas, mormente a descida espectacular até perto do mar, já na cercania de Muxia.
Continuando a crónica, digo-vos que para “esfolar” esta etapa extra, tínhamos resolvido levantarmo-nos cedo e sair logo que possível e assim o fizemos. Pequenos-almoços tomados e contas feitas, despedimos-nos de Fisterra e fizemos-nos à estrada e ao nosso Caminho, seguindo os marcos que aqui, alguns, tem a particularidade de terem a vieira virada para baixo, o que segundo o Sérgio nos explicou, são marcos que assinalam tanto o caminho Fisterra-Muxia como o inverso, pois há peregrinos que optam por primeiro irem a Muxia e deixar Fisterra para depois.
Em todo o caminho, que é comum às duas variantes, vimos também, para além dos marcos com as vieiras, a indicação de setas amarelas com a letra M, de Muxia e F de Fisterra, entre outras indicações para ambos os destinos e peregrinos a pé, nas duas direcções.
Mal saímos de Fisterra, começamos a subir em estrada, até uma zona residencial com bonitas vistas para o mar e entramos de seguida numa parte mais rural, entre muitos campos de milho e pequenos lugarejos, com muitos espigueiros, de todo o género. Uma coisa que me satisfez, foi ver em todo o caminho, que na Galicia ainda há muito quem cuide dos seus campos e os mantenha activos, especialmente com milho. Passamos muitas vezes por grandes milheirais, entre-cortados ora por estradas de terra, ora por estradas de asfalto, o que diga-se de passagem, deram belas fotos à malta.
Depois de passarmos a zona mais rural, abandonamos o vale e começamos a subir, em terra, já numa zona de pinhal e eucaliptal e daí em diante tivemos muita terra, alguma pedra, caminhos diversos, uns a exigir mais esforço, outros para dar “gás”, como disse o Domingos, na descida em que voltamos a ver o mar, depois de termos abandonado Fisterra.
Mas, essa vista foi de pouca dura, o mar desapareceu e voltamos ao asfalto e de novo à terra, de inicio em estradão, onde nos cruzamos com muitos peregrinos estrangeiros e, depois a um trilho muito bonito, ladeado em grande parte por muros em pedra e debaixo de muita vegetação.
Foi daqui em diante, que os primeiros percalços do dia aconteceram. Como não podia deixar de ser, o Oliveira voltou a furar e teve a companhia do Sérgio Zulu, nessa desdita. Depois de resolvidos os problemas e de volta ao caminho, foi a vez de quem ia à frente, a abrir caminho, se perder, neste caso o Valdemar, o Domingos e o Mário, que andaram a corta-mato por entre milheirais e bouças, até descobrirem uma estrada que os levou a atravessarem uma ponte, sobre um pequeno rio e os trouxe de novo ao caminho, mas não ao nosso encontro.
Como nós (Oliveira, Augusto, Jorge e Sérgio), pensávamos que eles estavam para a frente, fomos pedalando no seu encalço mas cada vez mais nos afastamos deles até que recebemos um telefonema, dizendo o que tinha acontecido e a pedir que esperassem por nós.
Tudo isto, aconteceu na zona de Lires, onde pelos vistos há o único local com café (Casa Raul) e onde se tentou obter um carimbo, mas não foi possível, pois parece-me que a população estava toda para a missa.
De novo com o grupo refeito, ou quase, pois o Sérgio já tinha abalado em direcção a Muxia, pensando ele, que os perdidos só podiam estar para a frente, só voltando literalmente ao nosso “seio”, aquando da foto de grupo que tiramos à entrada de Muxia, tendo por fundo uma belíssima baía e a sua praia.
Agora a seis, lá fomos subindo de Lires até Facho de Lourido, quase sempre em asfalto, com pouca terra, passando por uma ou outra localidade, até um cruzamento onde resolvemos parar para retemperar energias e depois enfrentar uma subida em terra que nos pareceu difícil mas que nos levou a um planalto muito bonito e ainda com aqueles arbustos coloridos, em tons de amarelo e roxo, em tudo idênticos aos que tínhamos visto, na serra da Freita, aquando do nosso memorável passeio.
Se a paisagem era linda, melhor ainda ficou com a presença de duas bonitas peregrinas que nos deram a boa nova, de que o pior já tinha passado, que de ora em diante só tínhamos que descer.
E que bela descida, meus amigos, um nunca acabar de descida, em curva e contra-curva, uma enorme descida em terra e depois em estrada, a “praia” do Jorge e outros que tais, que nos levou até à praia onde nos esperava o Sérgio, fazia já muito tempo.
Faltava cumprir muito pouco, obter a Muxiada no albergue local, ir ao Santuário da Nuestra Señora de La Barca e passar, como é tradição por debaixo de um rochedo, para depois tomar um banho, almoçarmos, darmos uma volta por Muxia até que o autocarro chegasse, para o nosso regresso a casa.
Mas, não há bela sem senão. O albergue estava fechado, era hora do almoço, o que significava nada de Muxiada nem de banho. Tivemos que optar entre ir ao santuário já citado e cumprir as tradições ou, irmos almoçar, e foi esta última hipótese que venceu e que adiou, para depois do repasto, a outra opção.
Após dicas e mais dicas, lá seguimos a indicação de um português que vive em Muxia e fomos almoçar a um restaurante um pouco afastado da localidade, degustando uns bons pratos de polvo, confeccionado de várias formas, entre outras delicias, como os mexilhões, muito ao gosto do Jorge Bastos.
O Sérgio, que tinha optado por almoçar noutro restaurante onde serviam o menu de peregrino, despachou-se mais cedo e já com a Muxiada na mão, apareceu-nos já com a muda de roupa e preparado para o regresso. Indicou-nos o local onde tinha obtido a Muxiada, o posto de turismo do Ayuntamento Local e, onde batemos com o nariz na porta, pois também estava encerrado para almoço e só voltava a abrir às quatro da tarde, hora a que o nosso autocarro, deveria estar já de abalada, rumo ao Porto.
Com mais este constrangimento, só havia uma coisa a fazer, irmos finalmente ao Santuário de Nuestra Señora de La Barca e voltarmos ao posto de turismo, mais tarde.
Já no santuário, conhecemos o local, cumprimos a tradição, tiramos algumas fotos e a foto de grupo, subimos a um belo miradouro, com uma vista de 360º de toda a bela Muxia, quase toda rodeada pelo mar e, satisfeitos por tanta beleza, abalamos em busca da ansiosa Muxiada, sem a qual, esta etapa não ficaria completa, nem o objectivo conquistado.
Como quem espera, sempre alcança, nós esperamos e alcançamos e, já com os certificados na mão, fomos em busca do autocarro que já nos aguardava, para voltarmos ao mesmo trabalho da partida, desmontar, colocar nos sacos e carregar as bicicletas, para regressarmos sem mais demoras a Portugal, às nossas casas e para junto dos nossos familiares.
Ass.: Valdemar Freitas
Estatísticas do quinto dia aqui
Foto reportagem do quinto dia aqui
O epílogo a duas mãos
Em jeito de conclusão pela minha parte, apenas me resta deixar-vos algumas considerações e agradecimentos, como já disse anteriormente, esta foi a minha primeira peregrinação a Santiago, tendo conseguido juntar o útil ao agradável, andar de bicicleta e conhecer terras e gentes fantásticas, uma experiência a repetir sem qualquer margem de dúvida.
Este camiño teve algumas particularidades que me ressaltam à memória, talvez não sejam as melhores, mas são os sons e os aromas que me recordam os caminhos ao rever as fotos, ao longo de todo o trajecto, e quando digo todo, é literalmente mesmo todo, tivemos a companhia de enormes bandos de corvos e vacarias, ou seja nunca esteve em dúvida que algum de nós se perdesse, bastava para tanto seguir o rasto e o cheiro da bosta dos animais ou olhar para o lado e seguir os corvos. 🙂
Brincadeiras à parte, não posso deixar de agradecer, aqui, publicamente, a todos os meus companheiros nesta aventura, sem eles tenho a certeza absoluta que não seria a mesma coisa, nem teria, para mim, o mesmo valor. Ao António Oliveira pela sua boa disposição, ao Domingos Queiróz pela sua força de vontade, ao Jorge Bastos pela sua voluntariedade, ao Mário Dantas pela sua experiência, ao Sérgio Zulu pelo seu conhecimento e ao meu companheiro de quarto Valdemar Freitas pelo seu empenho, sem o qual esta aventura nunca correria de tal forma.
Ass: Augusto Tomé
Para mim, o primeiro Caminho (caminho Central) será sempre inesquecível, pois foi a minha primeira grande aventura de vida, foi aquele em que cinco de nós nos estreamos, sem saber verdadeiramente ao que íamos, mal preparados, quer fisicamente quer em equipamentos e que nos custou imenso a concluir.
Mas, tanto o Central, como o da Costa como este que agora vos relatamos, tem as suas espectaculariedades e dificuldades sendo que, dos três, este Caminho que incluiu o epílogo a Fisterra e Muxia, foi sem dúvida o mais duro de se fazer, pois teve as dificuldades mais adversas em termos de altimetria acumulada e a maior extensão de subidas e descidas, que só se fizeram com a bike pela mão e às costas.
E, o tempo até ajudou, pois se tivemos muito calor no primeiro dia, não apanhamos muita chuva, o que a acontecer, certamente tornaria as etapas mais “longas” e a entrar ainda mais pelas noites adentro.
Em todos os eventos feitos em grupo, há sempre coisas a corrigir, isto porque os elementos que compõem um grupo, não são todos iguais e mau era se assim fosse. Uns são impulsivos, outros são calmos, há os teimosos e os nervosos e por aí adiante, num nunca acabar de virtudes e defeitos mas, quando a tudo isso se sobrepõe a amizade, tudo se resolve a bem do grupo.
Bem isto ao caso, para lembrar algumas coisas que podem e devem ser evitadas em próximos eventos. Uma das situações a corrigir é a de um ou mais elementos se perderem e se separarem do grupo. Uma das “regras” que quase sempre se acaba por esquecer é a de que, quem vai à frente, sózinho ou acompanhado mas separado dos restantes elementos, na dúvida de qual o caminho a seguir ou em cruzamentos que possam suscitar dúvidas, a quem vem atrás, esperar pelo restante grupo ou manter pelo menos um elemento nesse cruzamento. Se assim fosse, evitaria-se algum tempo perdido.
Uma outra situação a rever num próximo Caminho (fala-se no Françês), é certamente o do peso das mochilas que levamos às costas, consequência de algum exagero de equipamentos que se leva sempre a mais, sejam eles supérfluos ou não. Este ano, todos se queixaram e acho que todos concordaram, que se levou t-shirt’s a mais, ou seja, roupa para as horas de descanso e oferecida por alguns patrocinadores. No futuro, este é um ponto a rever e, quem sabe, optar por outro tipo de patrocinios ($$$).
Mas, houve concerteza em todas as nossas mochilas, quem também levasse algo que não precisou e que pesava, mas que nunca se sabe se algum vez fará falta, porque não é fácil fazer um lista o mais diminuta possível e depois não incluir o que, provavelmente irá ser necessário, pois “quando não é provável que algo aconteça, o improvável acontece”.
Ass: Valdemar Freitas
Agradecimentos
O grupo Dar ao Ped@L, agradece com muita estima, o apoio dos seguintes patrocinadores, para mais este nosso Caminho:
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3 de Setembro de 2013
Caminho a Santiago – Antes da partida
A peregrinação a Santiago de Compostela e o efectuar de mais um dos “Caminhos a Santiago” a Dar ao Ped@L, não começa apenas no dia da partida mas sim, muitos meses antes, como aconteceu no nosso caso.
A nossa preparação logística onde se inclui a escolha das datas mais convenientes a todos os interessados e, depois a escolha dos dias definitivos, a marcação dos alojamentos, o transporte das bicicletas para Chaves e de regresso ao Porto, bem como a definição de todos os equipamentos, sacos, mochilas, etc., apoio de patrocinadores, começou no inicio do ano, à volta da mesa, num jantar em Ermesinde.
Daí para cá, já muita coisa foi feita, alterada, anulada mas, o essencial para a viagem que amanhã terá início, já está pronto e todos os participantes, esperam apenas, com enorme ansiedade a hora da partida.
No meu caso, a ansiedade traduz-se por ter que me ocupar com algo que me preencha as horas que faltam e que não vão ser fáceis de passar.
Mesmo de férias, nestes dois dias que antecedem a partida, tenho-me na mesma levantado muito cedo e tentado ocupar os tempos com a preparação do meu saco, da minha mochila e de tudo o que me fará falta ou não, pelos caminhos.
Hoje assim aconteceu, levantei-me cedo e depois fui tratar de um assunto para o qual já tinha pensado.
Ir à Igreja de Santa Rita, em Ermesinde, rezar e pedir à santa, protecção para toda a nossa viagem e para todos os elementos, citando no meu pedido os próprios nomes, o António Oliveira, o Augusto Tomé, o Domingos Queiroz, o Emanuel Mascarenhas, o Jorge Bastos, o Mário Dantas, o Sérgio Guimarães, o Sérgio Soares e para mim próprio – Valdemar Freitas.
A minha intenção, também era a de obter os carimbos da Igreja, mas o senhor Padre não se encontrava disponível, pelo que os carimbos que consegui foram os do Colégio de Ermesinde, na secretaria desta instituição, onde também são colocados os carimbos da igreja, que infelizmente não obtive.
O que conta é a intenção e o que está feito, feito está.
Rezei por todos, junto do altar à Santa Rita, ofereci uma pequena esmola e adquiri os “santinhos” das imagens seguintes, com as orações que também li, sentado num dos bancos da igreja.
Um abraço e a todos,
um Bom Caminho.
Valdemar Freitas
Camiño Sanabrés
e
Epílogo a Fisterra / Muxia
Chaves – Ourense – Silleda – Santiago de Compostela
Negreira – Fisterra – Muxia
Equipamentos de grupo
1º Dia – Chaves / Ourense
Jersey Lampre 2013, Calção Lampre 2013, Luvas Lampre 2013 e Meias Lampre 2012 (quem tiver) – opção meias azuis/brancas – chapéu Lampre 2013 (foto de partida em Chaves)
1ª Noite – Ourense
T-Shirt-1 Opções Cruzadas, Lda. e boné para a foto de grupo – restante vestuário facultativo
2º Dia – Ourense / Silleda
Jersey Rumo a Santiago, Calção preto de preferência, Luvas pretas e Meias MEDI-Cep (pretas ou brancas)
2ª Noite – Silleda
T-Shirt Publinorte para a foto de grupo – restante vestuário facultativo
3º Dia – Silleda – Santiago de Compostela – Negreira
Jersey Dar ao Ped@L, Calção Dar ao Ped@L, Luvas e meias facultativas (azuis de preferência)
3ª Noite – Negreira
T-Shirt-2 Opções Cruzadas, Lda. e boné para a foto de grupo – restante vestuário facultativo
4º Dia – Negreira – Fisterra – Muxía
Jersey Rota das Cebolas 2013, Calção preto de preferência, Luvas pretas ou vermelhas, Meias Rota das Cebolas 2013
4ª Noite e viagem de regresso – Muxía e Muxía / Porto
T-Shirt Niepoort para a foto de grupo – restante vestuário facultativo
Obs. A Niepoort pediu-nos para tirar uma foto de grupo com a t-shirt que nos ofereceu, em Santiago de Compostela, na praça do Obradoiro e por isso recomenda-se que tenham a t-shirt na mochila, num local a que possam aceder facilmente.
Bom Caminho – Bon Camiño
Ultreya e Suseya
18 de Agosto de 2013
Desafio Serra Amarela – Ponte da Barca
Mais um desafio desta vez, em Ponte da Barca, à conquista da Serra Amarela.
Foram cerca de 40 kms bem durinhos.
Começamos pelo sentir da dureza das subidas, depois de uma visita ao centro de Ponte da Barca, sempre a subir, a trepar paredes até aos 540 m de elevação, cerca de 12 Kms, que nunca mais acabavam, com calor a rondar os 30 graus.
Que o digam os Pros que também lá estavam e que consideram esta prova como de dificuldade elevada. Valeu pelas fantásticas paisagens.
Ficaram-me registadas a subida até ao Monte do Livramento, em Sampriz, onde se avistam as Serras de Arga, Peneda, Soajo, Amarela e Gerês e onde foi feito o 1º reabastecimento, a passagem por Aboim da Nóbrega, Santo António de Mixões da Serra, local por onde já tinha passado no Transmixões (NGPS) e onde havia o 2.º reabastecimento e a separação da meia para a maratona.
Mais uma oportunidade par encontrar amigos do pedal, já habitués nestes desafios, Tapa FurQs Btt Clube, Steven Fernandes, Btt Bravaes e tantos outros que já me tem acompanhado noutros Eventos, mas com outra pedalada.
Um verdadeiro empeno e um bom treino para o Passeio de Santiago que se avizinha (Chaves-Santiago- Finisterra) e que já está à nossa espera.
Abraço,
Mário Dantas
Para mais fotos deste evento: ver aqui
2.º Passeio Dar ao Ped@L – Serra da Freita – Arouca
Passeio com o objetivo de visitar Drave, a aldeia mágica, em 2013.06.16
Por convite do nosso amigo, companheiro e líder espiritual – António Oliveira, coube-me a mim a árdua tarefa de organizar o 2.º Passeio do Dar ao Ped@L, assim e como tinha ficado literalmente com os “dentes como ossos” por não ter ido à aldeia mágica – Drave, aquando da realização da 1.ª Etapa do Circuito NGPS, decidi ser este o nosso destino, não havendo à partida quaisquer objeções.
Tudo tratado e agendado, publiquei o evento no Facebook, no nosso grupo e convidei todos os elementos que normalmente participam nos nossos eventos ou nos acompanham nas nossas pedaladas domingueiras.
Depois de analisar o percurso no Google Maps retirado do trajeto usado no NGPS, simulei a viagem do Parque de Campismo de Merujal até Drave, via estrada, o que totaliza aproximadamente 60 km, cometi aqui o meu primeiro erro, transcrevi mal a informação no evento do Facebook, dando a ideia que seriam “40/50 km”.
A ideia de levar a família, morreu à nascença, já que todos concordamos que seria um erro ficarem à nossa espera, ainda bem que assim aconteceu!
Quanto à dificuldade do passeio propriamente dito, esperava eu, erradamente é certo, que fosse um pouco mais ligeiro, já que, grande parte do acumulado e subidas tinham ficado para trás ao sediarmos a nossa base no Merujal evitando assim as subidas de Arouca até à Serra – nada mais errado, aquilo subiu até dizer chega, é verdade que não era nada de inatingível, mas deveria ter sido feito noutras condições, já que de todos os elementos presentes, alguns ressentiram-se do acumulado nas pernas, nomeadamente o Vitor Godinho, o Jorge Bastos e o Domingos Queiróz, foram claramente os mais penalizados – deixo aqui desde já o meu pedido de desculpas por tal facto, reconheço que avaliei mal as capacidades de cada um dos elementos, sob o risco de colocar a integridade física de alguns em perigo.
Nunca foi meu propósito colocar algum AMIGO em perigo, nem tão pouco fazer os companheiros sofrer até dizer chega, a minha única intenção era tão só guiar-nos a todos num passeio, ainda que não muito leve, mas reconhecidamente belo e deslumbrante – não aconteceu!
Acabei por não gozar, nem deixar os outros gozar as paisagens, tal era a minha preocupação, com as dificuldades criadas, nomeadamente com o Vitor Godinho, sendo que o seu estado mental e físico puseram-me em estado de alerta, sentindo-me na obrigação de o acompanhar ao longo de vários quilómetros a subir – amigo as minhas desculpas por te ter desencaminhado para esta aventura de loucos!
Para as coisas piorarem ainda mais, a meteorologia previu céu cinzento e quiçá alguns aguaceiros – errado, esteve um calor abrasador durante todo o dia, com um sol brilhante, lindo e fantástico, o que não ajudou, diga-se, mas a chuva não se fez rogada e lá apareceu quando menos precisávamos dela, já quase à noitinha no regresso aos nossos carros, acompanhada de vento e nevoeiro q.b.
Estivemos presentes 12 HOMENS, neste passeio, que definitivamente não foi um passeio para “meninos”, o local da minha escolha para o passeio resultou no seguinte:
Percorremos 67,95 km, em 12:09 horas, das quais 07:09 horas a pedalar, a uma velocidade média de 5,6 km/h, com uma média de velocidade de movimento de 9,5 km, atingiram-se recordes de velocidade, sendo que eu “apenas” cheguei aos 67,5 km/h, mas houve quem atingisse mais de 80 km/h – o Domingo Queiróz – esse intrépido do BTT.
Passamos em locais lindíssimos e que raramente no nosso dia-a-dia, temos oportunidade de contemplar, vimos os seguintes locais e aldeias: a maior queda de água natural do nosso país a Frecha da Mizarela, as aldeias de Tebilhão, Cabreiros, Candal, Covelo de Paivô, Regoufe, Drave, Coelheira e Póvoa das Leiras, o rio Paivô, as minas de volfrâmio de Regoufe, abandonadas, claro está, sem esquecer as inúmeras paisagens a perder de vista e completamente diversificadas.
Globalmente, o passeio saldou-se por um grande susto da minha parte, porque julguei que me tinha enfiado numa camisa-de-forças – serviu-me de exemplo! – No final tudo acabou em bem, pese embora desconheço se alguns dos companheiros dormiram com o Bobi lá de casa, tal foram as horas a que chegamos a casa.
Optei por não colocar inúmeras fotos já que todos podem e devem consultar as centenas ou milhares de fotos tiradas por todos os elementos do grupo disponíveis nas várias plataformas, no nosso blogue, no Facebook, no Flickr, no Google+, no Vímeo, etc.
Deixo apenas a nossa foto de grupo para mais tarde recordar e do local mágico que visitámos.
Certamente muito mais haveria para dizer, já que foi uma experiência inesquecível, pelos bons e pelos maus motivos, de qualquer das formas – inesquecível, sem dúvida alguma, uma aventura para contar talvez aos nosso netos.
Resta-me agradecer a todos os amigos e companheiros de aventura, pela sua amizade, companheirismo, boa disposição e outros atributos conhecidos!
Obrigado ao …
António Oliveira – pela tua alegria, sempre e em todos os momentos.
Domingos Queiróz – pelo teu esforço e pela tua companhia.
Jorge Bastos – pelo teu esforço e pelo teu silêncio.
Jorge Oliveira – pelo teu companheirismo e amizade.
José Pires – pelo teu desempenho silencioso.
Mário Dantas – pela tua amizade e perseverança.
Pedro Tiago Ferreira – por estares presente.
Ricardo Ferreira – pela tua simpatia.
Rui Teixeira – pelo teu companheirismo e pela natinha.
Valdemar Freitas – pelo teu empenho e amizade.
Vitor Godinho – pelo teu esforço, empenho e vontade de vencer.
Um forte abraço para todos.
Fotos em:
http://www.flickr.com/photos/96936967@N04/sets/72157634171670129/
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e muitas mais no Facebook.
Podem ainda ver o vídeo em HD em:
http://vimeo.com/68638153
e ainda no nosso Meo Canal :
e por fim, os comentários do dia seguinte em:
https://daraopedal.wordpress.com/2013/06/17/2o-passeio-dar-ao-pedl-serra-da-freita-arouca/
5.ª Etapa do Circuito NGPS – TransMixões – Vila Verde
Domingo, 09 de Junho de 2013, mais uma fantástica etapa do Circuito NGPS cumprida pelo Dar ao Ped@l, desta feita foi a 5.ª etapa em Vila Verde, Braga, que já vai na sua 6.ª Edição do TransMixões, num passeio que alia o desafio pessoal aos fabulosos trilhos existentes nesta região, a Missa da Bênção dos Animais em Santo António de Mixões e um Lanche na Quinta do Esquilo, uma entidade que tem vindo a colaborar já há algumas edições com a organização do TransMixões, demonstrando também deste modo o seu apoio ao BTT e promovendo as suas fantásticas instalações, dignas de uma visita com mais calma e em família.
Nesta edição, estivemos presentes 3 elementos do grupo, eu, o meu companheiro de sempre nestas aventuras o Jorge Oliveira e o resistente Mário Dantas, que ao que parece, ficou com o “bichinho” do Circuito NGPS, é uma boa escolha Mário, os meus parabéns!
Este amigo – Daniel Reis – acompanhou-nos ao longo dos primeiros quilómetros, mas devido a lesão anterior e grave, optou e bem, por desistir e ir refazer-se da maleita, não fosse a coisa piorar, já agora as melhoras para ti Daniel Reis, que “cicatrizes” depressa para voltar aos trilhos. Assim por volta das 8:30horas, arrancamos em direção a Santo António de Mixões, sendo que, nesta altura decidimos que iríamos efetuar o passeio dos 50 km “apenas”, a caminho o organizador – o Luís Martins, aconselhou-nos a não perder a descida de Bezeguimbra, do percurso dos 70 km, vai daí a meio do percurso alterámos a nossa rota e fizemos a descida, cheios de adrenalina, diga-se! Em boa hora seguimos o conselho do Luís, valeu mesmo a pena!
Como é habitual no nosso grupo, as fotos são imprescindíveis, diga-se aliás que o nosso grupo é já sobejamente conhecido nos meios do BTT, nomeadamente no circuito por sermos quase sempre os últimos a chegar, tal é o nosso empenho em documentar para a posteridade os locais por onde passamos e os momentos que vivenciamos.
A chuva – um elemento que se está tornar indispensável ou quiçá, inconveniente, no Circuito NGPS, mas o facto é que até ao momento das cinco etapas que realizámos, apenas na Figueira não fomos brindados com chuva, não que isso seja um impedimento, se calhar é até, uma bênção, assim o TMX 2013 – Transmixões, não foi exceção e lá apareceu a chuva que nos acompanhou durante algum tempo mas nada de transcendente, no computo geral, o tempo até se apresentou apropriado para a prática de BTT – sempre enevoado com uma temperatura amena.
Por esta altura, com poucos quilómetros percorridos, já usufruíamos da companhia do simpático Luís Martins, o organizador desta etapa, que nos acompanhou durante algum tempo, dando depois uma demonstração do seu vigor a pedalar e nunca mais o vimos.
Era nossa intenção, por ventura assistir à Missa da Bênção dos Animais, ou pelo menos a parte deste acontecimento, mas na verdade não contávamos com a quantidade de subidas que o Luís Martins gentilmente preparou para o pessoal e nós com as nossas perdas de tempo a documentar os locais por onde passamos, perdemos este acontecimento, pese embora no entanto quando chegámos ao topo de Santo António de Mixões, a cerimónia tinha acabado recentemente e toda a gente estava a tratar de se alimentar, eram piqueniques por todo o lado, fomos inclusivamente convidados a sentar-nos a uma mesa e usufruir da simpática companhia de uma família que almoçava – chega para todos, venham cá, sentem-se aqui, deixam aí as burras – insistiam, convite este que nós logicamente declinámos e muito agradecemos, não há como as gentes do norte, carago!
Quanto ao passeio propriamente dito, palavras para quê, é um passeio do Circuito NGPS, paisagens inigualáveis, só possíveis de serem vistas de bicicleta ou a pé, boa disposição e alegria q.b., onde é que é possível andar de bicicleta lado a lado com cavalos e paisagens de cortar a respiração – nas etapas do Circuito NGPS.
O ponto alto deste passeio, foi sem sombra de dúvida a travessia do Rio Homem, a pé e com as bicicletas às costas, uma travessia fantástica, que eu já suspeitava que iria acontecer, mas não tinha alertado os meus companheiros para tal facto, confrontados com tal travessia ainda ficaram um pouco hesitantes – ah e tal, vamos ficar com os pés molhados, podíamos procurar uma alternativa e ir à volta – perante a minha insistência – eu vou por aqui – lá acederam e tenho a certeza que não se arrependeram.
E assim se passou mais um domingo fabuloso, na companhia de amigos fantásticos, onde imperou sem sombra de dúvida a boa disposição e o companheirismo, como é habitual no nosso grupo, assim sendo, só resta agradecer aos meus companheiros de aventura, Jorge Oliveira e Mário Dantas – ao Luís Martins – aqui fica um grande abraço de todo o grupo Dar ao Ped@l, pela sua simpatia e boa disposição, continue a organizar eventos deste tipo enquanto puder e quiser, tem todo o nosso apoio.
O saldo final ficou-se por uma queda sem gravidade do Mário Dantas, o Jorge Oliveira esteve um pouco apertado com as dores musculares na rampa depois da descida de Bezeguimbra, avarias não existiram.
Venha o próximo passeio do Circuito NGPS, o Senhora Da Serra / Régua, se acontecer como no ano passado, haverá alvorada e a partida será às 00:00 horas em ponto, aguardemos para ver que tipo de empeno os PTDirtRiders nos vão oferecer!
Podem ver as estatísticas, vídeo e muitas fotos nos links abaixo, apreciem:
http://connect.garmin.com/activity/325756617
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.513774345342351.1073741882.473636959356090&type=3
http://www.flickr.com/photos/96936967@N04/sets/72157634035301094/
2º Passeio Dar ao Ped@L – Arouca
( Merujal – Mizarela – Serra da Freita – Covelo de Paivô – Regoufe – Drave – Coelheiras – Candal – Merujal )
Rescaldo do épico passeio e filme do Dia Seguinte, visto nos comentários dos participantes.
Valdemar Freitas – por SMS, às 09:12
Olá Malta
Diga-se o que se disser todos nós nos devemos sentir orgulhosos do que fizemos, porque o fizemos mesmo.
Fomos uns valentes.
Parabéns a todos.
Um abraço,
Valdemar
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Jorge Oliveira – por SMS, às 09:14
Partilho essa opinião.
Um abraço.
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Domingos Queiróz – por SMS, às 09:16
Ok, concordo…
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Vítor Godinho – por mensagem no Facebook, às 10:50
Olá Valdemar!
Por aqui é mais barato para mim…
Sim, eu sinto-me apesar de super cansado, muito orgulhoso, e realmente todo o grupo está de parabéns, pelo esforço, dedicação e espirito de amizade entre todos.
Nunca pensei que era necessário tanto esforço, digo-o por mim pelo tempo que não tenho pedalado e pela falta de força física, pelo que me aconteceu nos últimos tempos…
Um próximo evento destes tem de ser muito mais curto, com almoço e um bom bocado de letra entre todos para podermos também conviver além de pedalar.
Grande abraço, Vítor
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Mário Dantas – por email, às 09:47
Bom dia,
Quero antes de mais dar os Parabéns ao Organizador deste Evento, Augusto Tomé, pela oportunidade que me deu ao visitar a aldeia de Drave e pelo empenho que demonstrou na organização deste evento.
Senti a tua preocupação para que o passeio terminasse da melhor forma, mas as adversidades desta maratona, também fazem parte dela e fizeram de nós uns autênticos guerreiros.
Ao Vítor por ter aceite o desafio do Grupo e ter embarcado nesta aventura e por ter terminado a prova nas condições em que chegou.
Aos restantes companheiros, as minhas desculpas por alguma atitude menos correcta da minha parte e pelo esforço que tiveram de fazer ao acompanharam-me nesta aventura.
Estou ainda exausto pelo empeno que levei ontem.
Só vos digo que adorei o passeio e voltava a fazê-lo.
Somos uns verdadeiros MONSTROS do BTT.
Não está ao alcance de todos o passeio que fizemos ontem.
O meu odometro marcava 72 Kms, quando cheguei ao parque de campismo.
È destes feitos que é preenchida a nossa vida e tão cedo não nos vamos esquecer deste acontecimento
Fica-me na memória a descida até Drave, a subida, a descida até Candal, em que o Domingos disse que passamos os 80 Kms e o espírito de amizade que nos une.
Foi pena ter acabado da forma em que acabou, nomeadamente no regresso a casa, já acomodados dentro das viaturas, em que o lema “vamos todos e vimos todos”, tivesse sido esquecido, em que já estávamos todos com ânsia de chegar a casa, nos perdemos todos e não nos mantivemos juntos.
Um aspecto de futuro a corrigir.
Abraço,
Mário Dantas
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António Oliveira – por email, às 10:04
Companheiros
Obrigado GRANDE Mário pelas tuas palavras de conforto..
Saliento, que, depois de refeito das maleitas fiquei com vontade de fazer outro igual…
Venha o próximo…
Vocês são a minha SEGUNDA família…
Abraços sentidos, António Oliveira
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Vitor Godinho – post no grupo Sala de convívio – Dar ao Ped@l, Facebook, às 10:54
Ora vamos lá para a nossa sala…
Hoje sinto-me feliz, e até já me ri sozinho…
Estou apesar de super cansado, muito orgulhoso, e realmente todo o grupo está de parabéns, pelo esforço, dedicação e espirito de amizade entre todos.
Nunca pensei que era necessário tanto esforço, digo-o por mim pelo tempo que não tenho pedalado e pela falta de força física, pelo que me aconteceu nos últimos tempos…
Um próximo evento destes tem de ser muito mais curto, com almoço e um bom bocado de letra entre todos para podermos também conviver além de pedalar.
Grande abraço a todos Vítor
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Ricardo Ferreira – por email, às 11:07
Bom dia Companheiros,
Agradeço a todos o dia passado e pelas paisagens e dificuldades que partilhamos.
Esta prova de maratona fica para a memória, com grau de dificuldade elevada.
Obrigado em especial ao Tomé por nos ter levado a um dos sítios mais bonitos que visitei. Aliás, com ele e mais companheiros do Dar ao Ped@al tenho conhecido lugares, que não conhecia, e porventura se não fosse desta forma jamais conheceria.
Ainda como pessoa está a permitir enriquecer e fortalecer, com obstáculos que pensava intransponíveis.
Pensemos no próximo, e venham as fotos e os vídeos, que nos permitirão daqui a algum tempo recordar!
Abraço,
Ricardo Ferreira
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Mário Dantas – por email, às 11:19
Bom dia Valdemar,
Sugeria que estes registos/comentários fossem arquivados no nosso blog
Que achas?
O nosso amigo Jorgete é que ficou desapontado.
Eu próprio fiquei meio desorientado, quando estávamos perdidos, á procura da AE para o Porto.
Fiquei anestesiado, quando atravessei o Parque Eólico, no meio do nevoeiro e da chuva, em que nunca mais chegava ao parque de campismo.
A minha preocupação era chegar ao carro o mais rápido possível, para ir buscar os companheiros mais debilitados.
Vejam lá se animam o rapaz, que é um bom companheiro e é um membro importante da nossa 2ª família do Dar ao Ped@L
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Vítor Godinho – por email, às 11:41
Companheiros, Amigos, Combatentes do BTT,
O meu sincero OBRIGADO a todos…
Parabéns ao Tomé, pela dedicação ao dia que passamos, e à sua vontade em que tudo terminasse em bem… felizmente assim conteceu, apesar de todas as adverssidades que tivemos, especialmente eu, que não tenho pedalada, e um pouco debilitado fisicamente pelo que me aconteceu nestes últimos tempos, desde a cirurgia ao tratamento de radioterapia, que arrasou comigo em termos fisicos e mesmo de saúde, pois desde Outubro que todos os meses tenho feito antibiotico para recuperação de gripes… com muita facilidade vou abaixo…
Por tudo isto, sinto um ORGULHO ENORME pelo que consegui, e confesso que tive imensa vontade de desistir… mas vocês conseguiram que eu ultrapassasse esta minha ideia… e lá fui eu, com muito esforço, e muitas vezes a pé… aguentando as adverssidades daquelas montanhas que teimavam em não acabar de subir….
Um especial agradecimento ao Tomé e tb ao Jorge Oliveira, pois até me ajudaram a empurrar a bike num momento em que aspernas teimavam em não andar…OBRIGADO.
O espirito de amizade prevalece, e isso é que importa… somos um guerreiros…
No regresso, fui eu que tinha falado em levar uns doces para aduçar a lingua da mulher sob pena de ter as malas à porta… e talvez por isso nos tenhamos perdido uns dos outros…
Certo que de futuro não voltará a acontecer…
Aquela chuva no final da prova é que não veio nada a calhar, pois a garganta já começou hoje a arranhar… talvez amanhã já tenha infeção e depois de amanhã novo antibiótico… enfim… já me habituei…
Companheiros, uma vez mais, MUITO OBRIGADO por tudo, pelos momentos passados, pelas vistas maravilhosas que vimos, pelos lugares que de outra forma não chegaria um dia a visitar, por TUDO…..
ABRAÇOS A TODOS
Vítor Godinho
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Jorge Bastos – por email, às 12:28
Bom dia
Para que conste deste registo/comentário eu não sou de guardar rancores ou desapontamentos, mas também não mando dizer por ninguém e gosto sobretudo de por nome às vacas.
Compreendo que este tipo de situações acontecem mas há que prevenir… O grupo devia ter funcionado como um todo e numa situação destas teríamos que usar de estratégia que não existiu. A dispersão neste tipo de condições atmosféricas é perigosa, devíamos ter organizado um grupo de “batedores” para ir buscar os carros e os restantes manterem-se unos por forma a evitar estados de fobia e pânico que acredito que foram experimentados por alguns de nós, isolados, e principalmente na zona das aeólicas.
Se era suposto irmos a Drave e por saber que já era percurso conhecido de alguns, nunca deveríamos ter deixado os carros tão longe, pois já devíamos saber de antemão que aquela subida apenas poderia ser feita a pé e por consequência rebentaria com qualquer um. Estes percursos com muita gente e com capacidades anímicas diversas, têm que ser melhor projectados e delineados nunca fazendo fé na improvisação, um “treco”, em qualquer um de nós ontem, teria sido catastrófico. Já não somos propriamente meninos e não devemos ter a pretensão dos nossos tempos de juventude, muito ou pouco já temos connosco as marcas do tempo, as intervenções cirúrgicas as limitações… não se deixem iludir…! Defendam-se a nossa força nestas idades encontra-se sobretudo na experiência e na estratégia.
Por ultimo também não quero deixar de ressalvar o seguinte, lembrem-se, até cada um chegar ao conforto do seu lar continua a ser todos por um e não como ontem. Tocou a rebate e tudo dispersou… ! Sei que todos se perderam no caminho de regresso e afinal talvez fosse melhor termo-nos perdido juntos….
Ok por ultimo o nome é Jorgete mas com um grande par de tomates hã!
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Jorge Bastos – por email, às 14:56
Boa tarde
Em jeito de rescaldo, quero deixar aqui uma palavra de admiração e enaltecimento ao meu amigo e “líder espiritual” Vitor Godinho pelo seu desempenho, força de vontade e espírito de vencer. Não é todos os dias que se reencontra um Pedalista com P grande. Mesmo depois da grave intervenção a que foi sujeito com todas as sequelas remanescentes e tanto tempo parado, conseguiu superar todas as limitações e vicissitudes e chegar incólume, como se tivesse vindo do sauna ao destino propôs.
AH G’ANDE VICTOR!!!!!!
GRANDE PAR OS TEUS !!!!!












































































































































