06 de Maio de 2012
Esta semana, em conversa com os meus colegas de trabalho, Óscar e Mendes, nasceu a ideia de fazer um percurso de bicicleta até à Senhora do Salto, na freguesia de Aguiar de Sousa, no concelho de Paredes, com as clássicas descidas e subidas incluídas, até lá se chegar.

Salto – Aguiar de Sousa – Paredes
Obviamente, que com um macaquinho destes a trabalhar no meu sótão, desafiei-os, como conhecedores da região, a planear um percurso interessante, para depois o divulgar aos outros elementos do grupo.
E eles não se fizeram rogados e no dia seguinte mostraram-me várias alternativas das quais selecionamos uma com cerca de 70Km e que teria início no Freixo, subida da marginal (N108), com passagem pela Foz do Sousa, Zebreiros, barragem de Crestuma, Lixa-Covelo, Broalhos, Vila Cova, Medas e um pouco antes de Santiago – Melres, entrada à esquerda na N319-2, e passagem por Sernada, Sernande e chegada ao Salto (ver percurso).
Aproveitamos mais uma vez a manhã de Domingo para este evento e saímos à mesma hora do Alto da Maia em direcção à Areosa e depois ao Freixo, para o juntar de todos os participantes.

Na rotunda do Freixo
Ao longo da marginal fomos fazendo o aquecimento.

Na marginal, ainda em fase de aquecimento…
Perto da Foz do Sousa, juntou-se o Oscar, e com ele a chuva que nos acompanhou até à barragem de Crestuma, local da primeira paragem, desta vez, apenas para um breve descanso, sem direito aos normais cafezinhos que aqui já temos saboreado.

À espera que a chuva parasse, junto à barragem.
De volta à estrada, já quase sem chuva, começamos a subir, ainda na N108 em direcção a Santiago, local onde deveríamos virar à esquerda e entrar na estrada N319-2, que, em princípio, nos deveria levar até às imediações do santuário dedicado à Senhora do Salto.

A poucos metros de sairmos da N108 e entrarmos na N319-2

À entrada da N319-2, para seguirmos até ao Salto

Os últimos a entrar na N 319-2


Por sugestão do Pedro Teixeira e do Daniel Lopes, ao chegarmos à localidade de Sernande, viramos à direita numa subida em paralelos, directos à igreja, passamos um cruzeiro, continuamos a subir, já em asfalto e por fim entramos numa estrada em terra, que nos levaria ao Salto.

Sobe, sobe no asfalto
Ao iniciar a subida, a primeira sensação que tive foi a de subir por uma parede, em vez de uma estrada, tal é a inclinação do troço inicial.

Sobe, sobe, agora na terra.
Poucas vezes, desde que tenho a minha máquina, tive de engatar o prato mais pequeno da pedaleira tripla. E assim começou uma subida, sempre em esforço, de um troço com 8 Km e inclinação média superior a 8 e depois +- 5%.
Depois do impacto inicial lá fui progredindo e, como a minha preparação física não era a mais adequada, tive necessidade de exigir mais à mente, para vencer o esforço. A minha velocidade não passava dos 9 Km/h, a temperatura estava a aumentar e depois de cada curva a subida continuava.
Para ajudar a mitigar a dor, só a paisagem que é fenomenal, sobretudo num dia como este em que céu estava nublado e com chuva. O alcance da vista é impressionante e quanto mais se subia mais deslumbrante se tornava.

O Sousa, lá em baixo…
Ao fim de meia hora a pedalar, conseguimos vencer os 8 Km.
Chegamos ao topo e foi tempo de parar para respirar, recuperar o fôlego e depois contemplar o cenário que se deparava diante dos nossos olhos, enquanto os músculos ferviam.

Agora é a descer…
Depois de algum tempo parados, começamos a pensar na forma mais prática de descer até ao Salto, já de novo com a chuva a não nos querer deixar, e que não nos permitia ver as meninas da banda dos Bombeiros, com as perninhas ao léu.
Era dia de festa, o dia da Senhora Salto, que se celebra sempre no primeiro Domingo de Maio.

Festa molhada, é festa abençoada
De volta a casa, depois do cafezito e de umas sandes com febra e queijo no café Santos, a moral voltou a subir mas foi por pouco tempo, já que começamos novamente a subir e a descer, mas subia mais do que descia, isto é, desde que saímos do Salto, até Aguiar de Sousa, a S. Pedro Cova e a Fânzeres, já no concelho de Gondomar.

Ai é tão bom subir, ai é…
Descidas loucas com velocidades proibidas, com colegas a fazer autênticos voos rasantes ao solo, cada curva é um desafio entre a força centrífuga do meu corpo e a força de atrito entre os pneus e o asfalto. E se neste “negócio” a inclinação do corpo é importante (para não se ir em frente, saindo da estrada…), a concentração é vital, a mente só pode ter um pensamento: a descida. Eu e a bicicleta somos um só e a descida é tudo o que faço, a descida é tudo no que penso.
E assim hipnotizado, entro nas curvas a abrir e saio na mecha. Um espetáculo de pura adrenalina. Quando chegamos cá baixo, foi necessário parar para aliviar a tensão a que os braços e as pernas tinham sido sujeitas.
Nos aros nem se podia tocar tal a temperatura que atingiram com o atrito dos travões e ao olhar para a forqueta via-se uma camada espessa de pó dos calços dos travões!!!!
Se vale a pena subir?
Vale duplamente cada subida, pelo prazer da descida.
No fim, esgotados e felizes regressamos a casa com uma paixão especial por serras e com mais uma bela estória para contar.
António Oliveira
Participaram ainda: Daniel Lopes, Emanuel Mascarenhas, Jorge Oliveira, Mário Dantas, Nuno Meca, Óscar Ramalho, Pedro Teixeira e Valdemar Freitas