16 de Outubro de 2011
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9 de Outubro de 2011
Decorreu este Domingo, da parte da tarde, o Oporto Cycle Chic – Outono, com a participação de apenas um elemento do grupo Dar ao Ped@L, o Mário Dantas, que apesar de ter pedalado na parte da manhã connosco, até Espinho, ainda se dispôs a fazer mais este passeio cicloturístico, entre a Praça da Ribeira e o Jardim do Passeio Alegre.
Nas palavras da organização, o Oporto Cycle Chic, pretende ser “um evento onde o fato de treino é proibido! dirigido a todos aqueles que a cada momento da sua vivência cosmopolita e social se preocupam não só com a imagem mas também com a saúde.” e ainda incentivar o uso de bicicletas em meios urbanos.
O Mário Dantas, teve a companhia neste evento, do seu amigo de outras pedaladas, o Manuel Couto que já aderiu ao nosso grupo no Facebook e um dia destes talvez venha pedalar com o Dar ao Ped@L.
Para o nosso elemento, o comentário que fez no seu mural do Facebook, ilustra bem o quanto a cidade do Porto ganha, no uso cada vez mais intensivo de bicicletas, pelos seus habitantes ou por quem a visita, quer seja na ida para o trabalho, como forma de praticar desporto ou para um simples passeio.
“O Porto tem vida! As bikes dominam a cidade. Pela segunda vez e em grande os participantes da Oporto Cycle Chic animaram a tarde de domingo.:)”
A cidade do Porto, pode, deve e merece, ter melhor ambiente e nós os pedalistas, damos o nosso contributo cada vez que usamos as nossas bicicletas.
Venham daí mais iniciativas como estas.
Valdemar Freitas
(Mário Dantas)
9 de Outubro de 2011
O bom tempo continua neste Outubro e ainda bem que assim é, pois para a prática desportiva ao ar livre, como é o caso das nossas pedaladas, nada melhor do que pedalar sem frio ou chuva, mas, antes pelo contrário com sol e algum vento, que à beira-mar sempre se faz sentir, seja Verão ou Inverno, como o que aconteceu neste dia.
Mas o vento, mesmo contra, não nos fez parar nem tão pouco impedir de chegar ao nosso destino, seguindo desde o Porto, toda a orla fluvial do Douro, em Gaia, desde a sua ribeira até ao Cabedelo e depois toda a orla atlântica, e fazer os 15 km junto às praias de Gaia até chegarmos à cidade de Espinho.
Aí chegados, na esplanada do costume, foi tempo de saborear os cafezinhos e de restaurar energias, com as bananinhas da ordem, as barritas, água e outras bebidas açucaradas ou energéticas.
Tanto na ida como na volta, este Dar ao Ped@L teve diversas “fugas” do tipo, agora fujo eu, agora foges tu, agora foges tu mais eu, mas sempre com o José Gomes na linha da frente, apenas alternando de parceiro.
Ele que diz que não foge, mas sim, que não deixa ninguém fugir e eu acrescento, que é preciso ter muita pedalada para o contrariar.
De volta a casa, ainda tivemos que arranjar pedalada para subir da Ribeira do Porto até à Rua João Pedro Ribeiro, ou seja, subimos as ruas de S. João, Mouzinho da Silveira, a praça Almeida Garrett, a avenida dos Aliados, a rua da Trindade, a rua de Camões, a rua Fonseca Cardoso e por fim a rua Faria de Guimarães.
Pode parecer coisa pouca ou subidas pouco acentuadas, mas com muitos quilómetros nas pernas, qualquer subidazita começa a dar água pela barba aos trepadores.
E assim fomos até casa, que o almoço de Domingo por nós esperava.
Valdemar Freitas
(António Oliveira, Emanuel Mascarenhas, Jorge Bastos, José Gomes, Mário Dantas, Sérgio Guimarães e Vítor Godinho)
5 de Outubro de 2011
Com o S. Pedro fora da Troika, o tempo compensa e de que maneira a crise dos portugueses e dá aos pedalistas como nós, mais vontade de sair da cama, num feriado de Outubro que mais parece ser de Agosto.
Conforme o combinado, fomos nos juntando aos poucos até sermos seis pedalistas, incluindo um elemento novo, o Sérgio (Zulu) Guimarães, amigo das nossas caminhadas e por sinal um grande desportista e aventureiro, em muitas outras andanças.
Viemos então Pedalar pela República, bons portugueses que somos e orgulhosos por saber que este país que amamos, terá sempre futuro auspicioso, assim o povo queira.
Sem tempo para as comemorações, que essas deixamo-as para os que do país se servem, até ao fundo do tacho, fomos directos à Praça da República (antigo Campo do Olival) e tirar a foto do grupo, que neste caso foram duas, junto à estátua da menina República.
Bandeira de Portugal desfraldada ao vento (agradecemos ao Mário por a ter trazido), partimos Rua da Boavista abaixo até chegarmos à de Cedofeita e seguirmos o Caminho a Santiago, ao contrário, até à Sé Catedral do Porto, de onde alguns de nós tínhamos partido, dia 15 de Setembro, para mais umas fotos do grupo.
Daqui descemos, seguindo as setas até Mouzinho da Silveira, passamos pela Ribeira, atravessamos a Luiz I e voltamos à esquerda, seguindo o rio Douro, a uma cota alta, até ficarmos novamente junto ao rio, perto da ponte ferroviária de S. João.
Para diante, ninguém conhece o caminho e então partimos à descoberta, aventureiros sem receio daquilo que poderíamos encontrar.
Por caminhos de terra, ladeados por árvores e vegetação, paisagem muito bonita por sinal, ruelas e calçadas, a fazer lembrar o Caminho a Santiago, com subida a obrigar a levar as bikes à mão, fomos pedalando até à praia do Areínho, onde tomamos os nossos cafezinhos do dia.
Mais uns disparos e de volta ao caminho, sempre junto ao Douro, passamos por debaixo da ponte do Freixo e fomos seguindo a margem, por um carreiro cada vez mais estreito e com grandes hipóteses de podermos ir a banhos, se déssemos alguma pedalada em falso.
Mas isso não aconteceu e chegamos sãos e salvos ao que de pior estava para vir, uma enorme subida em curva e contra-curva, desde a margem do rio até ao que penso, ser das zonas mais elevadas da freguesia de Oliveira do Douro.
Foi um excelente treino para os seis valentes pedalistas que assim puderam comprovar que não há subida que lhes meta medo, venham elas que nós aqui estamos para as conquistar.
O resto do percurso foi normalíssimo, apenas com mais uma subida, com a travessia do Douro pela ponte do Infante e com o regressar a casa, ficando um a um, os pedalistas pelo caminho.
Viva o feriado de Cinco de Outubro, viva a República e já agora, viva o Verão no Outono.
Valdemar Freitas
(Emanuel Mascarenhas, Jorge Bastos, José Gomes, Mário Dantas e Sérgio Guimarães)
2 de Outubro de 2011
Hoje, o grupo Dar ao Ped@L, com mais uma aquisição, o amigo José Carlos Gomes, foi dar a sua contribuição numa nobre causa e participar no – Pedalar e caminhar por Afectos, evento promovido pela Ajudaris e com o apoio da Ecobike e da Câmara Municipal do Porto.
O local de encontro foi o Parque Cidade e logo após o final das inscrições, deu-se a partida e todos os participantes iniciaram o passeio cicloturístico, seguindo a pista da ciclovia do Porto.
Desde Av Boavista, passando pela Central e Jardim da Pasteleira, fomos desaguar ao Largo do Calém, seguindo depois pela marginal do rio Douro, Av. do Brasil, Av. Nevogilde e regresso ao local da partida.
É de enaltecer o apoio que a Ecobike e a ASPP prestaram à organização, controlando a segurança em todos os cruzamentos, que estavam abertos aos cicloturistas, tornando desta forma o passeio sem obstáculos de maior.
No final, houve um sorteio quen não foi nosso amigo, saiu-nos um “balde de plástico”, mas não perdemos nada e ainda ganhamos um novo pedalista, o nosso caminheiro José Carlos, que por sinal está em forma.
Tiramos uma foto com um dos padrinhos do evento, o ciclista da actualidade, Rui Costa. A atleta Aurora Cunha, compareceu só no final do evento e não deu hipóteses de fazer qualquer registo com o nosso grupo, mas ainda lhe tiramos uma foto para a posteriedade.
Venham mais causas e iniciativas como estas que o grupo Dar ao PedaL, cá estará para contribuir.
António Oliveira, Emanuel Mascarenhas, Jorge Bastos, José Gomes, Mário Dantas e Rui Martins
25 de Setembro de 2011
Hoje, seis elementos do grupo Dar ao Ped@L, foram dar o seu contributo para uma causa nobre e participar no Pedalar contra o Linfoma, percurso organizado pela APLL – Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas e tendo como padrinho convidado e apoiante desta causa, o antigo ciclista, Cândido Barbosa.
Foi um pequeno percurso, com saída da entrada sul do Parque da Cidade do Porto, descida da Av. da Boavista até ao Castelo do Queijo, Avenida de Montevideu e Avenida do Brasil e regresso ao ponto de partida.
Mas foi o bastante para apoiar esta excelente iniciativa, conviver com outros ciclistas e conhecer o Cândido Barbosa, simpático e sempre disponível para tirar fotos com os participantes.
E foi assim, tudo correu muito bem, não houve quedas, a organização esteve *** cinco ** estrelas e todos nós voltamos a casa com o dever cumprido.
Para o ano que vem, o grupo Dar ao Ped@L volta a Pedalar contra o Linfoma.
Integrado na Semana Europeia da Mobilidade, participamos no Passeio Nocturno de Bicicleta, denomidado “PEDALAR NA MARGINAL”, organizado pela Divisão Municipal de Ambiente e Educação Ambiental da Câmara Municipal de Gaia.
Outras fotos do evento em http://www.cm-gaia.pt/gaia/portal/user/anon/page/_CMG_Fotos.psml?contentid=969680C181CO&nl=pt
António Oliveira
Emanuel Mascarenhas
Mário Dantas
Valdemar Freitas
18 de Setembro de 2011
São sete da manhã e já todos nos levantamos, ninguém quer mais, tão pouco dormir, quanto mais ficar na cama a descansar. A vontade agora é outra, deixar as bikes estacionadas e bem guardadas no parque vedado do hostal e ir a pé até à Oficina do Peregrino para levantar a mais que merecida Compostela, como prova de termos pedalado cerca de 270 km, desde a Sé Catedral do Porto, em Portugal, até à Catedral de Santiago de Compostela, em Espanha.
Possuir a Compostela, é de uma enorme felicidade, para quem percorre os diversos Caminhos a Santiago, quer seja o caminho primitivo, o francês ou o português e, perfaz a pé ou a cavalo, no mínimo 100 km ou 200 km se utilizar a bicicleta, como foi o nosso caso.
A Oficina do Peregrino, situada muito perto da Catedral, atribui a Compostela ao peregrino, depois de se certificar que o titular da credencial, percorreu as distâncias mínimas exigidas, tendo como comprovativos os carimbos/sellos que o mesmo foi obtendo nas localidades por onde passou e nos mais diversos locais onde as conseguiu, como por exemplo, nos cafés onde tomou pequenos-almoços, nos restaurantes onde almoçou ou jantou, nos albergues onde pernoitou e descansou ou nas capelas e igrejas onde rezou e pediu um Bom Caminho.
Enquanto esperávamos na fila, que a Oficina abrisse, fomos ouvindo algumas experiências vivenciadas por um italiano, que tinha terminado no dia anterior, de percorrer a pé, o Caminho Francês, desde Saint-Jean-Pied-de-Port, tendo demorado mais de um mês, pois caminhava durante dois dias, descansando um.
As portas abriram e todo o processo de obtenção da Compostela foi muito rápido pois existem diversos postos de atendimento, localizados no primeiro andar do edifício, que respondem com muita solicitude a todas as questões dos peregrinos e lhes atribuem a Compostela, depois de validadas todas as premissas.
Depois de assinarmos o livro de visitas e já com os “canudos” nas mãos, saímos felicíssimos, parecendo estudantes com o curso superior acabado e, só não atiramos as” cartolas”, digo, os capacetes, ao ar, pois também esses, tinham ficado no hostal.
Dirigimo-nos à Catedral, não para assistirmos à missa, que teria início mais tarde, nem à cerimónia do “bota-fumeiro”, que pelos vistos, nem sempre se realiza, mas sim para dar o abraço ao santo e agradecer-lhe o nosso Bom Caminho e ainda, apreciar o interior imponente do edíficio e tirar mais umas fotos de recordação.
De seguida, fomos às compras, às tartes de amêndoa e às pedras de chocolate, uma vez mais com a sugestão do Mário Dantas, que nestas coisas de adoçar a boca e satisfazer a família, é um entendido por demais.
Com belas guapas a darem-nos a provar estas especialidades compostelanas, não podíamos recusar a compra de tão boas doçarias.
Depois fomos comprar os recuerdos para oferecer aos familiares, amigos e também para nós próprios, tipo pins, t-shirts, terços, brincos, fios, vieiras, etc., tudo lembranças com ícones de Santiago de Compostela ou associados aos Caminhos.
Tínhamos agora que tomar um bom pequeno-almoço para depois regressar ao hostal, fazer o check-out e montarmo-nos uma vez mais nas nossas bikes até à estação de Santiago, onde apanharíamos o comboio até Vigo.
Tomar o pequeno-almoço também teve o seu quê de aventura, pois a exemplo do já tínhamos feito na noite anterior, também nessa manhã, andamos às voltas e perdemos algum tempito, à procura de uns ditos e não menos famosos, enormes croissants, que o companheiro Vítor, havia comido outrora, numa qualquer pastelaria, que nenhum galego nos foi capaz de indicar.
Se não há cão, caça-se com gato, se não há croissants, há bolas de Berlim e outros bolos deliciosos e tudo o resto que precisávamos para aconchegar a barriga até ao almoço, lá para as imediações da estação de Vigo, à qual deveríamos chegar, entre a uma e meia e as duas da tarde, horas espanholas.
Fizemos o check-out, levantamos as nossas mochilas e todos os restantes haveres, preparamos as bikes e partimos a pedalar encosta abaixo, seguindo o Vítor que era o elemento que tinha consigo o mapa que indicava o percurso desde o hostal até à estação.
Na estação, tivemos uma desagradável recepção e uma não muito boa surpresa, ambas com cunho espanhol. Uma funcionária de bilheteira antipática, nada interessada em responder às nossas questões, que chegou mesmo a arreliar o Vítor com a sua sobranceria e uma regra que só permite a viagem, até três pessoas, com bilhetes devidamente validados para o viajante e para a sua bicicleta, a colocar em lugar apropriado junto a uma das portas do comboio.
A nossa regra, “Vamos todos, vimos todos” iria em terras de Espanha, ter uma quebra, pelo menos durante o tempo que iria mediar entre a solução que tivemos à força que tomar.
Como éramos cinco, três iriam no primeiro comboio a sair para Vigo cerca do meio-dia e meia e, já não me lembro porquê, a escolha (sorte) recaiu no Mascarenhas, no Oliveira e no Vítor.
Eu e o Mário Dantas, partiríamos uma hora e vinte minutos mais tarde, num comboio que também demoraria mais tempo a chegar a Vigo, pois efectuava mais paragens.
Das viagens até Vigo, apenas posso falar da minha e acrescentar que na dos “primeiros”, parece que o caldo quase se entornava entre o Oliveira e um arrogante espanhol, que não queria desocupar o lugar que por marcação, pertencia ao nosso ilustre companheiro.
A minha e do Mário, foi pelos vistos mais agradável, pois tivemos por companhia umas belas meninas, mucho guapas por sinal, pouco dormidas, que vinham de uma Rave, em La Coruña e que, connosco travaram um diálogo, que chegou a meter, pasme-se, Quim Barreiros e palavrões da nossa bela língua, ditos num castelhano muito feminino, a fazer lembrar os filmes de Almodôvar.
Reencontro de companheiros na estação de Vigo, fomos à procura de um restaurante para almoçarmos, mais uma vez em cima das nossas “namoradinhas” de duas rodas, nas ruas e avenidas circundantes à estação e junto ao porto de Vigo, não nos podendo afastar muito, pois o Oliveira, não aguentava mais o rabo, em cima do seu maldito selim.
Num qualquer café, situado numa cave, onde nos permitiram descer com as bikes, almoçamos pela última em Espanha, uma refeição normalíssima, tiramos mais uma foto de grupo e ainda trocamos umas piadas com os espanhóis, sobre a cabazada dos 7-0 que o Benfica tinha levado em Vigo, tudo por causa de uma foto que junto a nós estava, do plantel do Celta de Vigo.
De volta à estação, sentados e com muito tempo pela frente, pois o comboio com destino ao Porto, só sairia de Vigo, pelas 18:38 espanholas, vá lá saber-se porquê, os seguranças da estação propuseram-nos que metêssemos as bikes dentro do comboio português, já estacionado na linha de onde deveria partir, no local destinado e nos suportes para esse fim e que por sinal, só davam para 4 bicicletas, tendo a do Mário ficado no chão, encostada e presa a uma das portas que não iria ser aberta durante a viagem.
Com as bikes guardadas, fomos dar uma volta a pé pela cidade, para passar o tempo, apreciar as galegas, as lojas, as avenidas, mas tirando tudo o resto, os nossos olhos só brilharam para as bicicletas Trek, de roda 29, que apreciamos numa montra e para as habilidades que miúdos espanhóis faziam, também com as suas bicicletas, num parque radical para esse tipo de manobras.
De novo na estação, desta vez na sala de espera situada no átrio das bilheteiras, íamos apreciando os viajantes e cometendo mais umas loucuras, bem à moda tuga e que, valha a verdade, não deveriam ser relatadas para não nos envergonhar.
Ele era o Oliveira a fazer imitações de macaquinho, a cantar “Mas quem será, mas quem será, o pai da criança”, juntamente com o Mascarenhas e o Mário, outras risotas e brincadeiras sobre coisas que já não me recordo mas, que fizeram com que o tempo de espera passasse a cem à hora e muito divertido, até à hora em que embarcamos para o Porto.
A viagem para o Porto, foi uma viagem de comboio como muitas outras que todos nós já fizemos e da qual nada à de relevante a dizer a não ser que, era o elo de ligação entre a nossa AVENTURA de quatro dias e a REALIDADE dos dias que se lhe seguiriam.
Valdemar Freitas
(António Oliveira, Emanuel Mascarenhas, Mário Dantas e Vítor Godinho)
17 de Setembro de 2011
Saímos de Redondela, pelas 8 horas espanholas, depois de termos tomado um pequeno almoço numa pastelaria bem perto do albergue, onde alguns espanhóis ainda ressacavam a noitada de sexta para sábado, bem bebidos e fumados.
Nas ruelas que circundam o albergue, tivemos o primeiro percalço, o Mascarenhas tinha um pneu em baixo. Não sabendo se seria furo, o Oliveira deu umas “bombadas” que aguentaram o pneu até à estação de serviço, logo à saída de Redondela, aproveitando aí, quase todos nós, para também verificarmos a pressão dos nossos pneus.
De volta a estrada, demos um pouco à frente, pela falta das nossas “guias”, as indispensáveis setas amarelas que nos vinham orientando, desde a Sé Catedral do Porto. Desfeito o engano, com a indicação que mais à frente encontraríamos novamente o Bom Caminho e as setas, não nos livrando de ter que subir uma muito íngreme subida, com as nossas amigas bicicletas pela mão.
Por essa subida acima, fomos encontrando peregrinos a pé, que tinham pernoitado connosco no albergue de Redondela e que tinham saído bem mais cedo, como foi o caso das senhoras oriundas de países do Leste da Europa, com muito andamento, neste tipo de peregrinações.
Do cimo, tomamos uma estrada em terra, plana de início e depois em descida, que nos iria levar a descobrir das mais belas paisagens do caminho, em terras de Espanha, a vista das rias junto a Pontevedra. Com vista, para a ria, surge-nos, mais ao menos a meio da descida, mais um local onde os peregrinos deixam recordações à sua passagem, desta vez, em forma de um “estendal” de cordas onde cada um pode deixar, uma vieira, uma foto ou postal, um boné e muitos outros tipos de objectos.
Depois de mais umas fotos individuais e do grupo, fizemos-nos ao caminho, até à estrada em asfalto, que julgo ser a N550, que por diversas vezes, atravessamos ou percorremos por pouco tempo e que é a estrada nacional que vai até Santiago.
Logo no início do asfalto, mais um contratempo, o Mascarenhas tinha um furo na roda de trás. Com a boa vontade de todos, mas diga-se de verdade, apenas com o esforço/experiência do Oliveira, logo se despachou o problema e toca mas é a pedalar, pois o nosso destino ainda está por alcançar.
De novo a seguir as setas, uma atrás da outra, passamos por Arcade (famosa pelas melhores ostras da Galícia), por entre um aglomerado de ruelas até que chegamos à ponte de Pontesampaio, lugar muito bonito e com direito a paragem obrigatória para as fotos do costume, mas sem tempo para nos deliciarmos com a famosa cidra de caña.
Atravessada a ponte, voltamos às subidas, por entre ruelas muito íngremes, com direito a ter que levar as nossas meninas pela mão. Por falar em meninas, foi por esta altura, que passamos pela mexicaninha. Já não te lembravas disto pois não Oliveira, mas eu recordo-te que foi a última vez que a viste.
Logo de seguida, atravessamos uma ponte situada mesmo ao lado de uma outra romana mas sem condições e entramos numa calçada romana/medieval sem condições em grande parte do seu percurso, para que pudéssemos pedalar.
Assim que pudemos voltar a sentar-nos em cima nas nossas bikes, fomos vencendo caminho até que fizemos uma paragem junto à Capela de Santa Marta, em Bertola e onde tínhamos à nossa disposição, mais um carimbo, para as nossas credenciais.
Daí até Pontevedra foi um tirinho. Aí chegados, fomos tomar os nossos cafezinhos da praxe, a um café junto à estação dos comboios, com direito a churros a acompanhar os cafés, mais carimbos e reabastecimento. Pontevedra, num sábado de manhã pelos menos, tem muita gente a percorrer o seu lindíssimo centro histórico e pode-se mesmo dizer que já é uma cidade média com agitação urbana, de que gostei particularmente e que um dia hei-de lá voltar.
A nossa ideia era ir almoçar a Caldas de Reyes e por isso passamos fugazmente por Pontevedra, mas ainda assim com diversas paragens para muitas fotos, pelo menos até atravessarmos a ponte sobre o rio Lérez.
Até Caldas de Reyes, todos os caminhos são quase na sua totalidade fáceis de fazer, de diversos tipos mas todos muito interessantes e a convidar o viajante a uma paz com a natureza, tal a sensação de sossego que transmitem.
A meio do caminho, fizemos um pequeno desvio para conhecermos as cascatas do Parque de Ria Barosa e tirar mais umas fotos num lugar muito aprazível mas um bocado desgastado pela época do Verão que à pouco terminara e que deixara rastos de mau ambiente.
Assim que chegamos a Caldas de Reyes, dirigimo-nos primeiro à igreja com o intuito de colocar os carimbos mas, tanto a igreja como o albergue de Caldas de Reyes, estavam fechados e nada feito.
No entanto, não ficamos tristes, porque de seguida, tivemos uma grande experiência, sensação, nova para todos, excepto para o Mário, que foi o de molharmos os pés, muito cansados por sinal, na água quente da Fonte das Burgas. É mesmo uma água termal muito quente, que faz com que não se aguente muito tempos os pés dentro dela, mas que a todos nos proporcionou, dos mais belos momentos de descontracção de todo o caminho.
Reconfortados, de pés lavados e descansados, fomos à procura de restaurante para almoçar, seguindo uma vez mais indicações no nosso guia, para as coisas da boca e da barriga, o Mário Dantas, bom conhecedor do melhor que os espanhóis nos poderiam servir.
E assim foi realmente, tivemos o nosso melhor almoço, em terras espanholas, no restaurante- hotel Lotus, com direito a aparcamento das bikes na garagem do hotel, a uns empanados de porco, de presunto e de fiambre, salvo erro, e ao melhor de tudo, um grandiosíssimo Caldo Galego.
Mas que espectáculo de caldo, saboroso, peitoral, energético, eu sei lá que mais, uma maravilha, a que todos nos rendemos.
Posso mesmo afirmar, também na opinião de todos, que melhor que o caldo galego para a barriga, só mesmo os cintos espanhóis, das espanholas, mas esses, com efeitos nas nossas vistas, que os olhos também… comem e há, quem tenha sempre, mais olhos que barriga.
Com a barriga cheia e os olhinhos felizes, fomos buscar as nossas bikes para nos fazermos de novo ao caminho mas, primeiro tivemos que resolver mais um imprevisto, que foi ter que trocar novamente a câmara de ar da bike do Mascarenhas, que essa sim, não havia maneira de ficar cheia.
Esta estória do vazio-cheio-vazio-cheio, ainda vai ter mais cenas, e que cenas.
De novo ao caminho, agora pela Calle Real e de seguida por estradas de terra até entrarmos num percurso inesquecível entre prados e bosques, lá fomos nós pedalando, sempre entregues à pródiga natureza, fotografando aqui e ali, filmando o Mascarenhas, com a sua máquina incorporada no capacete , dos mais bonitos clips da nossa aventura.
Foi por essa altura, que demos pelo atraso do Oliveira, que nos disse que tinha ficado para trás, para fazer uma paragem técnica e apertar o cadeado.
Mas o menino Oliveira mentiu-nos, tinha sim, tido uma indisposição, segundo ele provocada pelo esforço que fizera, logo após o almoço, a dar à bomba, para encher a câmara do Mascarenhas, tendo mesmo chamado pelo gregório (vomitado) e ficado com a barriga vazia e sem o bendito caldo galego.
Mas nada abala o homem do Norte, muito menos a “Oliveira forte e dura de roer” e a prova disso é continuar a pedalar, não dando sinais de fraqueza, cansaço, desânimo, antes pelo contrário outros sinais, e que sinais.
Como dizia o outro, “vós sabeis do que estou a falar”, e o momento que proporcionou, a meu ver, a nossa melhor foto de grupo, teve outros sinais.
Sinais sonoros, musicais, de gargalhadas e sorrisos, de risotas até às lágrimas, de aromas, tudo isto junto a uma pequena ponte de madeira, enquanto o grupo sentado num banco e com o tripé montado, tira mais uma foto, muito feliz e… gaseado, quem sabe, pelo bendito caldo galego.
Refeito dos efeitos, que só bem lhe fez (a alegria é a melhor energia), o grupo voltou a pedalar com muita mais vontade e com toda a genica de atingir o seu grande objectivo desse dia – chegar a Santiago.
Mas pelo meio, ainda teríamos que passar Pontecesures e chegar a Padrón, local onde se diz que aportou a barca com o corpo de S. Tiago e o padrão, onde foi amarrada a barca e que deu nome à cidade.
Em Padrón, visitamos a igreja de S. Tiago, vimos o já referido padrão que está no altar da igreja e procedemos à cerimónia de atirar moedas, tentando que as mesmas fiquem no cimo do padrão, numa concavidade e que não caiam, para o fosso, onde estão aos milhares.
Aqui, aconteceu mais uma peripécia nada agradável e que aconteceu inadvertidamente. No altar, cruzavam-se vários peregrinos, uns efectuando a cerimónia anteriormente descrita, outras escutando as explicações de uma guia turístico e outros fotografando, como era o caso do Vítor, que sem querer, penso que tocou ao de leve, com a mochila que trazia às costas, no suporte para livros abertos, utilizado para a leitura de homilias, durante as missas e outros rituais religiosos.
Nada de anormal aconteceu ao referido suporte pois este deveria estar em bom estado e ser de boa construção, mas foi um grande estrondo e mais um susto para o Vítor, que ficou muito nervoso e só se viu mais descansado, quando obteve o sello, muito bonito por sinal, e se viu fora da igreja, pronto para seguir caminho a Santiago.
Seguimos uma vez mais a N550, depois de termos passado por Iria Flavia e entramos depois num curioso labirinto de pequenas localidades que se sucediam umas atrás das outras, tendo pelo meio vinhas e campos até surgir novamente a N550 que deixamos quando viramos para Teo.
Daqui em diante, fizemos estradas secundárias, estradões, caminhos de terra, uns mais largos, outros mais estreitos, com subidas e descidas mais ou menos acentuadas, até que vimos pela primeira, as torres da Catedral de Santiago, local de referência para todos os peregrinos, a uma distância de sensivelmente quatro quilómetros.
Foi por esta altura, que detectei que a minha bike tinha um pequeno grande problema que me impedia de seguir a direito e que a cada pedalada que dava, tinha que corrigir a direcção. Fui assim mesmo até ao final e nada me impedira de lá chegar, nem que fizesse os últimos quilómetros com a bicicleta pela mão ou às costas, eu haveria de lá chegar.
Descemos o asfalto, atravessamos um viaduto sobre a linha do comboio até que chegamos a um local, onde se tem que escolher, qual a subida que se pretende fazer, para chegar à catedral.
Para a esquerda, sobe-se até à catedral, pela estrada que passa junto do hospital, mas diz-se que este não é o verdadeiro caminho português, que o original, é o que segue pela direita por um caminho de terra e que nos leva até bem perto do centro histórico.
A opção que tomamos foi a de seguir o caminho português original, já que o vínhamos fazendo desde o Porto e de nos concentrarmos no início da subida final, que nos levaria à praça do Obradoiro, para que este último trecho da nossa aventura ficasse registado na câmara do Mascarenhas.
Foi o que fizemos, mas com tanta vontade de chegar, a ansiedade apoderou-se de todos, que penso que já ninguém via setas amarelas e apenas seguia o caminho por instinto ou por conhecimento de outras idas a Compostela, que significa campo de estrelas, estrelas que iluminaram, tanto o caminho como os peregrinos de outrora, como o nosso caminho e os elementos do Dar ao Ped@L.
Não sei se passamos a porta Faxeira, entrada tradicional do Caminho Português, penso que não e, também é certo que não seguimos toda a rua de Franco, que nos enganamos e que fomos dar às traseiras da catedral, mas, depois de corrigido o engano, entramos finalmente na praça do Obradoiro e agradecemos a Santiago por nos ter dado Caminho Bom e termos chegado sãos e sem problemas ao nosso destino.
Foi com muita alegria, que nos abraçamos e felicitamos pelo feito alcançado, que ligamos para as nossas esposas a comunicar que tínhamos chegado a Santiago e que fizemos todas as fotos e filmes, com a catedral como fundo.
Não há palavras que melhor descrevam estes momentos, que vivemos numa praça cheia de peregrinos e de outras gentes, das mais variadas origens, num sábado em final de tarde, do que as que a seguir se descrevem…
“fazer este caminho, foi certamente a maior aventura das nossas vidas.”
O principal estava feito, faltava arranjar albergue para nos alojarmos em Santiago e no dia seguinte irmos visitar a Catedral, abraçar o santo, irmos à Oficina do Peregrino obter a Compostela, documento em latim que comprova que fizemos o caminho a Santiago e comprar algumas lembranças para os familiares.
Ficamos bem hospedados num albergue particular, o La Salle, jantamos muito bem no restaurante La Bodequilla de San Roque e, após uma volta pelas ruas típicas do centro histórico, que circundam a belíssima catedral e outros monumentos, fomos descansar e sonhar com tamanha aventura.
Amanhã é outro dia e o regresso a casa.













































































